sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Pelo outro lado

Cansaço, noite de sábado e amigos. O que fazer? Passear, conversar, apoveitar o tempo para ampliar os laços que já existem. Fortalecer laços: é esta a motivação positiva que inibe e compensa a força negativa do corpo extremamente estafado de mais uma semana desgastante. O mesmo lugar. Mais uma vez. Quantas vezes? Não se lembra, mas a vontade do novo chama, convida. O álcool em si não é novidade, mas a força e a quantidade sim. Onde está a Liberdade que se procura? Talvez esteja dentro de uma garrafa. Será? Não, não é aí que ela está! Mas não faz mal, o que pode acontecer? Alguns risos fora de hora, no máximo. É só ir em frente. Termina! Olha-se para o amigo, mas não é possível vê-lo. Nota-se que algo não está bem. Mas, o que será? Nada sério, espera-se. De repente, o primeiro vômito. Normal! Ao menos saiu aquilo que atrapalhava o amigo de ser apenas o amigo, o mesmo de sempre. Mas não acabou. Inicia-se uma seqüência. Não se vê e não se ouve mais nada. O lugar perde a importância. Só há ele ali, mal, o amigo. O que fazer? A impotência humana diante da dor se revela. Onde está Deus? Será que Ele vê? A dor se instala, pelo medo, pela preocupação, pela impotência. Não há nada para fazer. Se ao menos não se tivesse tido a idéia. Mas, não! O “se” agora não vale. Resta a única alternativa: lutar. Mas como lutar quando não se conhece o inimigo? Quando se vê a batalha pelo outro lado? O lado de fora é assustador também. Não se sente a dor de quem está do lado de dentro. Mas o que machuca é o fato de não saber o que se passa lá, na distância. A presença anterior já não tem mais sentido. Antes, juntos. Agora, separados por dores diferentes. Por medos e angústias diversos. Nada do que é feito é o bastante. A vergonha de não poder agir se instala. Luta-se, ao menos para se manter sóbrio. A força e a dose de álcool no sangue também são novas. Mas o efeito nem tanto. Tenta se manter firme. Para ao menos se fazer presente nesse momento. A dor é a cada momento mais forte. Onde está? Não importa. Como ele está? Não há resposta, mas o olhar assusta. Algo vai mal, bem mal. O frio chega, os calafrios. Não há agasalhos o suficiente. Os braços precisam ser usados. Abraços. De que valem nesse instante? Qual o calor que se passa agora? O calor do corpo ou o calor da dor do coração? Os dois? Não importa! Que sirva para alguma coisa, para diminuir a impotência. Algumas pessoas passam. Ouve-se alguém dizer: “que lindo! Isso é que é amizade”. Irônico ou sincero? Não se sabe, nem importa. Nesse momento a luta é o centro das atenções. As feridas e os efeitos ficam para depois. O fim se aproxima. Todos novamente de pé. Lembra-se da Graça e que ela, apenas ela, basta! Ela esteve ali. Presente a todo o momento. Ensinando. Formando. Transformando. Conscientizando. Ferindo e curando! O que sobram? Lições. Mas também laços. Laços de uma amizade envolta e amparada na Graça e no Amor dAquele que esteve a todo momento ali, deixando que a gente entendesse o que precisava entender. Esperando pacientemente que percebamos que aquilo que procuramos só pode ser encontrado nEle. A única fonte da Vida está ali. Derramando Amor e Graça. Vamos beber?

Nessa hora, penso apenas no cuidado de Deus.

Hugo Rocha

Leia também A vida em minhas mãos.

Um comentário:

Andy disse...

Descrição de uma mesma situação por outro ângulo... Situações... e as lições que ficam einh?