segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Apenas nEle

Às vezes sinto-me tentado a desistir. Não, às vezes não! A cada dia esses momentos têm se tornado mais presentes. O convite à desistência é a atraente, tentador. Sentir que o chão sobre o qual andei por toda a vida não mais existe é amedrontador, assusta, impele ao reconhecimento da derrota. Chegou o fim! Saber que não se há mais onde apoiar convida ao reconhecimento da chegada do fim. Mostra a proximidade da morte. Mas digo a morte mais cruel: a das esperanças. Viver sem esperanças é morrer condenado a vagar uma vida toda sem motivação alguma de existir.

Canso-me dos discursos simplistas dos religiosos. Sinto pena dos ateus. A cada dia vejo que a única diferença entre ambos é no que diz respeito ao bom senso. Os primeiros discursam sobre deus, um ser que nunca existiu. Os segundos têm mais bom senso, por não acreditarem na farsa que lhes é apresentada como sendo Deus, mas que não passa de um deus. Entristece-me ver que o deus religioso os impede de desfrutar conscientemente do Amor que sopra todos os dias sobre eles.

Canso-me de ver a aproximação que religiosos fazem entre Graça e pecado. É triste ver que eles realmente não percebem o quanto são cegos. Não entendem que a amiga do pecado é a Lei, e a culpa sua fiel ajudadora. É ridículo olharem, mas não conseguirem ver, que quanto mais culpados se sentem, mais pecados cometem. É assustador perceber que eles não vêm que a Graça é a única libertação possível.

Canso-me de ver pessoas esperando a libertação divina. Não entendem que a Cruz basta e que o resto é responsabilidade deles. Não percebem que esperar de Deus mais que aquilo que Ele já fez é colocá-lo em posição operacional, fora do coração. Lêem, mas não entendem, que a Graça nos basta, pois o poder do Pai se aperfeiçoa na nossa fraqueza.

Canso-me de ver seres tristes por estarem distantes de Deus. Não entendem que a proximidade dEle não depende da perfeição humana, impossível de se atingir. Mas depende, simplesmente, do reconhecimento da incapacidade de se alcançar a presença do Pai por merecimento, aliada à decisão de aceitar, em fé, que Ele está próximo porque quer.

Canso-me de ver os que se dizem cristãos condenando pessoas ao inferno. Não entendem que o inferno pior é a vida na Terra distante da consciência da Graça e do Amor de Deus. Nada fazem para aproximar ninguém do Amor, pois nem eles mesmos o conhecem. Para os religiosos, a salvação é fruto de uma declaração, de dizer que se aceita a Jesus, embora, na maioria dos casos, quem diz aceitar não sabe a quem aceita, só sabe que aceita, com o objetivo de receber algo em troca.

Canso-me de ouvir discursos de quem não entende o significado da Ceia. Acham que comer um pedaço de pão e tomar um pequeno cálice de suco de uva tem algum poder. Não entendem que participar do momento, sem absorver Cristo e o significado da Cruz, nada mais é que ingerir algumas calorias. Pensam que o ato de examinar-se, para depois tomar a Ceia, tem o objetivo de mostrar quem deve e quem não deve sentar-se à mesa. Não entendem que este é apenas um convite para a percepção da Graça e do Amor do Pai, já que atrairá juízo sobre si somente aquele que, na sua presunção, se achar digno e merecedor de comer do Corpo e beber do Sangue do Cordeiro.

Canso-me de falar e não ser ouvido. De explicar e não ser compreendido. De tentar deixar o Amor de Deus passar por mim e chegar aos outros e receber ódio em troca. Sim, canso-me!

Mas revigora-me uma coisa: saber que o caminho árduo não tem sido trilhado sozinho. Vejo que, quando acompanhado, a trilha se torna leve e suave. E convida a prosseguir. Todos os que caminham ao meu lado mostram-me mais uma face da Graça e do Amor de Deus sobre mim.

Posso, enfim, declarar que, apesar de estar cansado de tantas coisas, dentre elas até de viver, de uma coisa não vou nunca desanimar. Nunca me cansarei do Amor. Seja vivendo, falando ou espalhando. Pois se Deus é Amor e eu vivo apenas em Deus, torno-me escravo do Amor, aprisionado a Ele. Não me resta alternativa, senão ser canal desse Amor. No dia em que o Amor não estiver mais em mim terei morrido. Apesar da incredulidade, ainda acredito na esperança das coisas que hoje não vejo.

Creio no Amor, apenas nEle!

Hugo Rocha

[Para os que estão próximos e para os que, mesmo distantes e desconhecidos, conseguem permanecer junto ao meu coração, onde são mais que conhecidos, como Ricardo Gondim e Rubem Alves.]

3 comentários:

Andy disse...

E aí mano...
Que bom que apesar da vontade de desistir tem algo maior...
obrigado por me ensinar com suas palavras...
saudade...

PS. limão e cereja... xD

Andy disse...

Nada muito extravagante...
Mas postei no bLog... rs
Setive rum tempinho...
Passa lá depois... rsrs

Saudade irmão!!!

Abraço grandão!!! (acho que sempre vou cair... fraco demais... rs)

PS. Desculpe a hora que liguei ontem... rs
Tava chovendo, eu sentando no chão perto do prédio de artes sozinho... um cartão telefônico com 2 unidades... Então... xD
kkkkkkkkkk

edineycaminho disse...

Legal o texto kra, parece com o Ricardo Gondim, parabens kra, sua dissertação ta demais...abraços brother....