O que é ser feliz? Ser ou estar?
Não sei...
Melhor perguntar a quem conhece
Essa desconhecida,
Chamada felicidade
Não sei ser feliz
O que sei é apenas viver
Encarar cada dia como o último
Sorrir, chorar, gritar
Cantar, falar, viver
Escrever
Escrever é um prazer
Para mim, melhor que ser feliz
Deve ser viver escrevendo
Fazer nada mais
Que poetizar a vida
Através de palavras, versos
Mas a cada dia tenho certeza:
Aquilo que escrevo me afasta do mundo
Mostra que não pertenço a ele
Mostra quem sou, revela-me
Ressalta que odeio o mundo
E o quanto sou só...
Hugo Rocha
domingo, 30 de dezembro de 2007
Tuareg, uma indicação
O romance Tuareg narra a saga de Gacel Sayah, um autêntico representante da etnia tuareg – também conhecidos como targuís –, que vive no deserto do Saara e preserva valores e tradições, alheio às mudanças na estrutura social do país onde habita. Vivendo com sua família, seus escravos e seus bens, distante da civilização, Gacel é conhecido pelo espírito guerreiro e de sobrevivência. Longe de saber das mudanças ocorridas no território, não mais controlado pelos franceses e, agora, nação independente, o targuí recebe, em seu acampamento, dois homens que andavam pelo deserto. Como manda a tradição tuareg, Gacel os recepciona da melhor forma. Porém, em uma manhã, soldados invadem a jaima (como é conhecida a tenda onde habitam os targuís) onde os hóspedes estavam, matam o rapaz e levam o mais velho. Sem saber que o homem levado é o principal personagem da independência do país, Gacel inicia sua jornada em busca de justiça. Para honrar o papel de um bom anfitrião tuareg, ele inicia a procura pelos responsáveis pela morte do jovem, para vingar seu assassinato e pôr em liberdade o outro hóspede, levado à força de sua jaima.
Hugo Rocha
Hugo Rocha
Quase
Sempre penso que estou a ponto de explodir, mas tudo sempre fica só no quase...
Quase explodi, quase cheguei ao limite...
Quase joguei tudo pro alto, quase mandei todo mundo pro inferno...
Quase mandei todo mundo ir tratar seus problemas com um psicólogo de verdade, porque não é isso que eu sou...
Quase disse que não me importo com aquilo que você passa, porque os seus problemas não são meus...
Quase disse que tenho muito mais o que fazer do que simplesmente estar ao seu lado...
Quase quebrei o espelho do meu banheiro, de raiva...
Quase joguei o copo de leite contra a parede, porque estou cansado de ser controlado...
Quase fiz tudo errado simplesmente para você ver que não sou perfeito...
Quase larguei os estudos para que as pessoas percebam que eu estou saturado de expectativas...
Quase fugi de casa, de saco cheio de perguntas...
Quase fui um cafajeste, para simplesmente calar a boca das pessoas...
Quase contei toda a verdade sobre mim, para que todos percebam que eu não sou a fortaleza que aparento...
Quase fechei a porta na sua cara pra você entender que não quero sua companhia...
Quase tirei o telefone do gancho para ver se você se toca e desiste de me ligar...
Quase me embriaguei pra simplesmente mostrar que eu não me importo com conseqüências...
Quase me matei pra todos verem que se quiser eu acabo com minha vida, porque eu simplesmente estou cansado de continuar a viver assim...
Mas, no fim das contas, ficou tudo no quase...
E eu quase fui descarado e coloquei nomes nesse texto quase 100% verdadeiro...
Porque eu quase sempre exagero nas minhas versões... ;)
Eu quase fui feliz até hoje...
Por que quase tudo que fiz até hoje...
Ficou simplesmente no QUASE!
André Gonçalves
*Ou simplesmente Andy. Um amigo, grande amigo! Meu irmão mais velho nesse mundo. Escreve aqui.
Quase explodi, quase cheguei ao limite...
Quase joguei tudo pro alto, quase mandei todo mundo pro inferno...
Quase mandei todo mundo ir tratar seus problemas com um psicólogo de verdade, porque não é isso que eu sou...
Quase disse que não me importo com aquilo que você passa, porque os seus problemas não são meus...
Quase disse que tenho muito mais o que fazer do que simplesmente estar ao seu lado...
Quase quebrei o espelho do meu banheiro, de raiva...
Quase joguei o copo de leite contra a parede, porque estou cansado de ser controlado...
Quase fiz tudo errado simplesmente para você ver que não sou perfeito...
Quase larguei os estudos para que as pessoas percebam que eu estou saturado de expectativas...
Quase fugi de casa, de saco cheio de perguntas...
Quase fui um cafajeste, para simplesmente calar a boca das pessoas...
Quase contei toda a verdade sobre mim, para que todos percebam que eu não sou a fortaleza que aparento...
Quase fechei a porta na sua cara pra você entender que não quero sua companhia...
Quase tirei o telefone do gancho para ver se você se toca e desiste de me ligar...
Quase me embriaguei pra simplesmente mostrar que eu não me importo com conseqüências...
Quase me matei pra todos verem que se quiser eu acabo com minha vida, porque eu simplesmente estou cansado de continuar a viver assim...
Mas, no fim das contas, ficou tudo no quase...
E eu quase fui descarado e coloquei nomes nesse texto quase 100% verdadeiro...
Porque eu quase sempre exagero nas minhas versões... ;)
Eu quase fui feliz até hoje...
Por que quase tudo que fiz até hoje...
Ficou simplesmente no QUASE!
André Gonçalves
*Ou simplesmente Andy. Um amigo, grande amigo! Meu irmão mais velho nesse mundo. Escreve aqui.
O sonho
O sonho se foi
Mas minha vida não
Ela permanece
Eu permaneço
Firme, forte, de pé
Minha fé é mais forte
Do que qualquer paixão
O Amor e a Graça me tomam
Posso sorrir
É hora de retomar a caminhada
Comecemos uma nova cena
Gravando...
Hugo Rocha
Mas minha vida não
Ela permanece
Eu permaneço
Firme, forte, de pé
Minha fé é mais forte
Do que qualquer paixão
O Amor e a Graça me tomam
Posso sorrir
É hora de retomar a caminhada
Comecemos uma nova cena
Gravando...
Hugo Rocha
Solidão
Estou apaixonado
E resolvi me declarar
A todos...
Sim, estou amando
E o nome dela é Solidão
Aprendi a amá-la
Decidi valorizar quem tenho
E vi o quanto a amo
Com um amor que nunca antes senti
Como se depois de anos eu percebesse ao meu lado
Quem sempre gostou de mim
Ela sempre me desejou
Mas hoje tenho vergonha dela
Da forma como a tratei
Ela querendo ficar comigo
Insistente, persistente
Apesar do meu desprezo
Sempre ficou por perto
À espera
Lembro-me do dia em que ela se foi
Excedi-me e a expulsei
Conheci outra: a Esperança
Resolvi viver com ela
Deitamo-nos juntos
E fizemos Amor
Mas a Solidão voltou
E a saudade acendeu a chama
Traí a Esperança
Nos braços da Solidão
Voltamos a dormir juntos
Enfim a aceitei
Apaixonado, acatei o seu pedido
E vamos nos casar
Jurei a ela fidelidade
Agora, só a troco por outra
Única, aguardada, especial
Se ela aparecer em minha vida
Não resistirei, reconheço
Abandonarei, novamente, a Solidão
Mas essa outra só vem quando quer
É ela quem chama, convida
Acho que a fama lhe subiu à cabeça
E temos sempre que esperá-la
E eu a aguardo
Estou deitado com a Solidão
Até que a Morte venha!
Hugo Rocha
E resolvi me declarar
A todos...
Sim, estou amando
E o nome dela é Solidão
Aprendi a amá-la
Decidi valorizar quem tenho
E vi o quanto a amo
Com um amor que nunca antes senti
Como se depois de anos eu percebesse ao meu lado
Quem sempre gostou de mim
Ela sempre me desejou
Mas hoje tenho vergonha dela
Da forma como a tratei
Ela querendo ficar comigo
Insistente, persistente
Apesar do meu desprezo
Sempre ficou por perto
À espera
Lembro-me do dia em que ela se foi
Excedi-me e a expulsei
Conheci outra: a Esperança
Resolvi viver com ela
Deitamo-nos juntos
E fizemos Amor
Mas a Solidão voltou
E a saudade acendeu a chama
Traí a Esperança
Nos braços da Solidão
Voltamos a dormir juntos
Enfim a aceitei
Apaixonado, acatei o seu pedido
E vamos nos casar
Jurei a ela fidelidade
Agora, só a troco por outra
Única, aguardada, especial
Se ela aparecer em minha vida
Não resistirei, reconheço
Abandonarei, novamente, a Solidão
Mas essa outra só vem quando quer
É ela quem chama, convida
Acho que a fama lhe subiu à cabeça
E temos sempre que esperá-la
E eu a aguardo
Estou deitado com a Solidão
Até que a Morte venha!
Hugo Rocha
Por que você escreve?
Escrevo porque tenho uma necessidade inata de escrever! Escrevo porque sou incapaz de fazer um trabalho normal, como as outras pessoas. Escrevo porque quero ler livros como os que eu escrevo.
Escrevo porque sinto raiva de todos vocês, sinto raiva de todo mundo. Escrevo porque adoro passar o dia sentado à mesa escrevendo. Escrevo porque só consigo participar da vida real quando a modifico.
Escrevo porque quero que os outros, todos nós, o mundo inteiro, saibam que tipo de vida nós vivemos, e continuamos a viver, em Istambul, na Turquia. Escrevo porque adoro o cheiro do papel, da caneta e da tinta.
Escrevo porque acredito na literatura, na arte do romance, mais do que em qualquer outra coisa. Escrevo porque é um hábito, uma paixão.
Escrevo porque tenho medo de ser esquecido, porque gosto da glória e do interesse que a literatura traz. Escrevo para ficar só. Talvez escreva porque tenho a esperança de entender por que eu sinto tanta, tanta raiva de todos vocês, tanta, tanta raiva de todo mundo.
Escrevo porque gosto de ser lido. Escrevo porque depois que começo um romance, um ensaio, uma página, sempre quero chegar ao fim. Escrevo porque todo mundo espera que eu escreva.
Escrevo porque tenho uma crença infantil na imortalidade das bibliotecas, e na maneira como meus livros são dispostos na prateleira.
Escrevo porque é animador transformar todas as belezas e riquezas da vida em palavras. Escrevo não para contar uma história, mas para compor uma história.
Escrevo porque desejo escapar do presságio de que existe um lugar para onde preciso ir mas ao qual – como um sonho – nunca chego. Escrevo porque jamais consegui ser feliz. Escrevo para ser feliz.
Orhan Pamuk
Escrevo porque sinto raiva de todos vocês, sinto raiva de todo mundo. Escrevo porque adoro passar o dia sentado à mesa escrevendo. Escrevo porque só consigo participar da vida real quando a modifico.
Escrevo porque quero que os outros, todos nós, o mundo inteiro, saibam que tipo de vida nós vivemos, e continuamos a viver, em Istambul, na Turquia. Escrevo porque adoro o cheiro do papel, da caneta e da tinta.
Escrevo porque acredito na literatura, na arte do romance, mais do que em qualquer outra coisa. Escrevo porque é um hábito, uma paixão.
Escrevo porque tenho medo de ser esquecido, porque gosto da glória e do interesse que a literatura traz. Escrevo para ficar só. Talvez escreva porque tenho a esperança de entender por que eu sinto tanta, tanta raiva de todos vocês, tanta, tanta raiva de todo mundo.
Escrevo porque gosto de ser lido. Escrevo porque depois que começo um romance, um ensaio, uma página, sempre quero chegar ao fim. Escrevo porque todo mundo espera que eu escreva.
Escrevo porque tenho uma crença infantil na imortalidade das bibliotecas, e na maneira como meus livros são dispostos na prateleira.
Escrevo porque é animador transformar todas as belezas e riquezas da vida em palavras. Escrevo não para contar uma história, mas para compor uma história.
Escrevo porque desejo escapar do presságio de que existe um lugar para onde preciso ir mas ao qual – como um sonho – nunca chego. Escrevo porque jamais consegui ser feliz. Escrevo para ser feliz.
Orhan Pamuk
Poema em linha reta
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel.
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma covardia!
Não, são todos o Ideal, se os ouço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
Álvaro de Campos
[Dedico à Loca, minha amiga.]
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel.
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma covardia!
Não, são todos o Ideal, se os ouço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
Álvaro de Campos
[Dedico à Loca, minha amiga.]
sábado, 22 de dezembro de 2007
Você
Eu odeio ter te conhecido
Eu odeio ter sido usado por você
Odeio ter sido usado para suprir tua carência momentânea
Odeio não ter sido alguém em sua vida
Apenas algo que passou
Odeio muita coisa
Mas o que mais odeio
É não conseguir odiar você
Hugo Rocha
Eu odeio ter sido usado por você
Odeio ter sido usado para suprir tua carência momentânea
Odeio não ter sido alguém em sua vida
Apenas algo que passou
Odeio muita coisa
Mas o que mais odeio
É não conseguir odiar você
Hugo Rocha
sábado, 15 de dezembro de 2007
A editora mais doce
Carolina Farah, ou simplesmente Loló! Primeira editora, mas digo, sem dúvidas, que é a editora mais doce do mundo. Trabalhar ao lado dela foi uma oportunidade incrível de aprender e crescer, profissionalmente e, também, pessoalmente.A primeira foto em meu blog não poderia ser outra. Tinha que ser ao lado dessa pessoa maravilhosa, que me ensinou o quanto o trabalho jornalístico, apesar de intenso, pode ser prazeroso e agradável.
Loló, com o coração já apertado de saudade, te desejo muito sorte nos projetos futuros.
Muito obrigado!
Hugo Rocha
quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
Meu Hoje
Uma manhã de Dezembro
Mais uma vez o nascer do Sol
Seus raios me trazem paz
Sinto seu calor em meu corpo
Seu brilho me enche de alegria
Ignoro a nostalgia do crepúsculo porvir
Sinto paz, esperança
Majestoso o Sol brilha
Mas dessa vez não brilha sozinho
Meus lábios o acompanham
Em um leve sorriso
O Sol não veio só
Ele me trouxe você
Não sei quem maior beleza irradia
Nem quem mais feliz está
O Sol, por ocupar a imensidão do céu
Ou eu, por habitar em seu coração
E ter a pessoa mais bela do mundo
Você
Levanto-me e esqueço do que passou
Nada mais importa
Assim como novo é cada dia
Banhado pelo nascer do Sol
Novo é o que sinto por você
Apenas quero viver cada dia, agora
Vendo o Sol nascer
E com ele, a beleza da vida
Quando a vivo com você
Pois hoje, o meu Hoje é só você!
Hugo Rocha
Mais uma vez o nascer do Sol
Seus raios me trazem paz
Sinto seu calor em meu corpo
Seu brilho me enche de alegria
Ignoro a nostalgia do crepúsculo porvir
Sinto paz, esperança
Majestoso o Sol brilha
Mas dessa vez não brilha sozinho
Meus lábios o acompanham
Em um leve sorriso
O Sol não veio só
Ele me trouxe você
Não sei quem maior beleza irradia
Nem quem mais feliz está
O Sol, por ocupar a imensidão do céu
Ou eu, por habitar em seu coração
E ter a pessoa mais bela do mundo
Você
Levanto-me e esqueço do que passou
Nada mais importa
Assim como novo é cada dia
Banhado pelo nascer do Sol
Novo é o que sinto por você
Apenas quero viver cada dia, agora
Vendo o Sol nascer
E com ele, a beleza da vida
Quando a vivo com você
Pois hoje, o meu Hoje é só você!
Hugo Rocha
sábado, 8 de dezembro de 2007
O Diabo e a criança
Um dia o Diabo viu uma criança fazendo com o dedo um buraco na areia e perguntou-lhe que diabo de coisa estaria fazendo.
- Ué! não vês? Estou fazendo com o dedo um buraco na areia! - espantou-se a criança.
Pobre Diabo! O seu mal é que ele jamais compreenderá que uma coisa possa ser feita sem segundas intenções.
Mário Quintana
quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
Lisbon revisited (1923)
Não: não quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!)
Das ciências, das artes, da civilização moderna!
Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na!
Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, cotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que haveremos de ir juntos?
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja de companhia!
Ó céu azul – o mesmo da minha infância -,
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
Álvaro de Campos
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!)
Das ciências, das artes, da civilização moderna!
Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na!
Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, cotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que haveremos de ir juntos?
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja de companhia!
Ó céu azul – o mesmo da minha infância -,
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
Álvaro de Campos
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