quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Percebi...
então, em 2009, prometo ser mais pessimista que nunca. afinal, assim sou, assumo. e não há em mim vontade de mudar. ser pessimista não é pior - nem melhor - que ser otimista. apenas diferente.
até 2009, com a mesma visão pessimista - porém sempre carregada de uma proposta de transformação.
Hugo Rocha
O que você vai fazer na virada do ano?
O bom dessa pergunta, quando me é feita, é que a resposta é extremamente simples. Nada. Não vou fazer nada na virada do ano. Óbvio que o nada é uma oposição que se aplica ao sentido que as pessoas comumente dão ao ato de fazer. O fazer normalmente é entendido como sair da rotina, dedicar o tempo a algo diferente. Nesse sentido, nada farei na passagem do ano de 2008 para 2009.
Não vou adotar superstições e rituais. Acredito na realidade. Não vou comemorar. Não enxergo motivo racional para festas e fogos de artifício. Assim como de 2007 para 2008, estarei em casa. Fazendo alguma das coisas que fiz ao longo do ano. Algumas opções: ler, escrever, assistir algum filme, ouvir música, ver TV, ouvir rádio, navegar na internet. Ou, é claro, dormir.
Comemorar por quê? O ano de 2009 vai começar. E, com ele, os mesmos dissabores e, para não ser pessimista, sabores de 2008. Pode ser que algumas variações ocorram, mas elas não derivam de rituais feitos na passagem. É natural que, ano após ano, amadureçamos e conquistemos coisas novas. Afinal, ano a ano, ficamos mais velhos. Não tem a ver com a passagem ou com o ritual. Tem a ver com o eterno exercício de crescimento que é a vida.
Na virada de 2008 para 2009, não espero nada. Quero apenas a vida. Viver é o que prometi a mim mesmo. No próximo ano, continuarei vivendo. A passagem 2008/2009 é apenas mais uma curva que completo na corrida da Vida. E, como bom piloto, só vou soltar fogos na reta final. Não quero comemorar de antecipação. Corro o risco de não chegar ao pódio. Vergonha total.
Aos que me consideram pessimista, um recado. Como diz minha mãe quando ouve alguém diferenciar pessoas em classes opostas, afirmo: “discussão inútil. Todos irão morrer”. Pessimistas e otimistas. Cristãos e ateus. Judeus e muçulmanos. Liberais e comunistas. O fato é que o mesmo fim nos espera. E, na vida, a única diferença efetiva se faz entre aqueles que escolhem amar e aqueles que escolhem o caminho da indiferença.
Se você vai comemorar a virada do ano com pedidos dou uma dica. Que, em 2009, você escolha fazer do mundo um lugar um pouco melhor. De casa, desejo boas festas àqueles que vão comemorar. Não tenho restrições. Apenas decidi fazer a minha festa em solo particular, cuidando do meu coração.
Ah, para não deixar a pergunta sem resposta. O que farei na virada? Bem, vou comemorar a Vida. Da mesma forma que comemoro a cada amanhecer. Com reverência e devoção. A vida é bela... e curta...
Hugo Rocha
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Em 2009,
Muitos pais perderão o emprego
Inúmeros não terão o que comer
Milhões sofrerão de pestes e doenças
Em 2009,
Milhares de crianças serão violentadas
Milhares de jovens se suicidarão
E outros milhares morrerão de overdose
Em 2009,
Alguns casamentos serão realizados
Muitos mais terão fim
Filhos perderão pais
Pais perderão filhos
Em 2009,
Novas guerras deixarão centenas de mortos
Muitos perderão partes do corpo decepadas por bombas
Crianças serão atingidas pelos tanques inimigos
Para 2009,
Não carrego mais esperança que em 2008
Um pouco menos, talvez
Mas, em 2009, continuarei a acreditar
Que o Amor pode ser a diferença
Mesmo que, na virada 2008/2009,
Sejam menos os que decidirão amar
Até por que Amor não se promete para o futuro
Apenas se decide viver no Hoje
Hugo Rocha
domingo, 28 de dezembro de 2008
Vai chover. De novo
Liguei meu MP4 player e ouvi Santa Chuva. Primeiro, na interpretação gloriosa de Maria Rita. Em seguida, na voz sussurrada inconfundível de Marcelo Camelo [a propósito, agora estou realmente parecido com ele, como sempre dizem aonde vou com meu cabelo grande e barba por fazer. No dia 25, foi a vez do meu primo, Samuel].
Não demorou muito tempo e me rendi à voz doce, melodiosa e incrivelmente agradável da absurdamente fantástica Brooke Fraser. [desnecessário é dizer que não pretendo ser imparcial, não é?] Certo estava o meu amigo Andy quando disse que ela é viciante. Depois que começamos a ouvir, não dá mais pra parar. Ouvi, durante o restante do trajeto até o Pátio Savassi, a canção C.S.Lewis Song – em suas duas versões: studio e live.
Rodeios. Como disse, saí sem saco. Queria observar. Atividade que me ajuda a vencer as dores que se acumulam em mim. As duas semanas anteriores foram eficazes em me oferecer a dor. Dores de amigos que, por tradição já cultivada durante anos, se tornam minhas no momento em que as conheço. Aprendi a não ser indiferente à dor do meu próximo.
Como diz a letra de C.S.Lewis Song, “If I find in myself desires nothing in this world can satisfy, I can only conclude that I, I was not made for here”. Acumulam-se em mim sonhos que não acredito mais possíveis. O sentido que, enfim, enxerguei na vida é tão grandioso e me assusto ao perceber que o risco de que ninguém mais perceba é igualmente imenso. Mas eu não posso parar, “because my comfort would prefer for me to be numb and avoid the impending birth of who I was born to become”.
Ainda no ônibus, relembro. 1) A notícia de um “fim” dada pelo MSN. 2) O olhar de dor de um amigo sofrendo a perda. 3) A notícia – ao vivo – de outro “fim”. 4) No ônibus, abraço e um silêncio reverente. Lágrimas. 4) No ônibus, o relato de um sentimento que machuca. Lágrimas. 5) Lágrimas. 6) Lágrimas. 7) Lágrimas. 8) Lágrimas. 9) Lágrimas. 10) Minha própria dor.
Esqueço e começo a observar uma mulher que entra no ônibus. Eu gosto de andar de ônibus. Com idade para ser minha mãe, a beleza chega a ser contraditória. Não pela idade, mas pela naturalidade. Não há marcas de intervenções forçadas. Sinto-me impelido a observá-la. Ultrapasso a medida. Extrapolo a profundidade do olhar. Não consigo parar. Entristece-me a falta de coragem de dizer a ela o quanto é bela. Rubem Alves diz bem que o elogio nem sempre é bem visto em nossa sociedade. E o medo da interpretação das minhas palavras teve, uma vez mais, poder para me calar. Talvez ela precisasse ouvir meu elogio... Talvez fosse fazer bem à alma dela. Talvez...
Chega a hora de descer do ônibus. Conhecer pessoas. Reencontrar uma pessoa. Assusta-me perceber que eu gosto de pessoas. Em seguida, novamente o silêncio. Estou só. Vou ao encontro de um amigo. Revejo outro. Conheço novas pessoas. Assusta-me perceber que eu gosto de pessoas [2].
Não tenho melhor forma para encerrar este texto que apenas me calar.
“For we, we are not long here. Our time is but a breath; so we better breathe it. And I, I was made to live. I was made to love. I was made to know you. Hope is coming for me.”
Hugo Rocha
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
sábado, 13 de dezembro de 2008
Problemas?
Amigos sabem
Que quando pedimos pra eles ficarem longe
Os queremos extremamente perto
Amigos de verdade sabem
Que quando pedimos pra eles não se importarem
É por que desejamos intensamente sua preocupação
Amigos de verdade sabem
Que quando pedimos silêncio
Precisamos, na verdade, ouvir sua doce voz
Amigos de verdade sabem
Que quando pedimos que não nos toquem
O beijo e o abraço se fazem urgentes em nós
Amigos de verdade sabem
Que quando pedimos que sumam
Mostramos apenas o medo de que nos abandonem
Amigos de verdade sabem
Que quando nos tornamos insuportáveis
Precisamos deles muito mais próximos, junto ao coração
Amigos de verdade sabem
De tudo que aqui escrevi
Mesmo sem ler
Amigos sabem! É, eles sabem
Ou, pelo menos, deveriam saber
Hugo Rocha
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Apenas e principalmente hoje
Ao longo dos meus 22 anos, fiz alguns planos. Mesmo sem ter a alma afeita ao fazer planos para o amanhã, vi-me, em diversos momentos, pensando naquilo que faria em meu futuro. Reconheço que a cultura do planejamento antecipado me parece absurdamente estranha. Não por que seja adepto de uma vida tocada sem qualquer preocupação com o que ainda virá. Seria exagerado defender tamanha irresponsabilidade. Ignoro totalmente o futuro. Mas sou atormentado por uma só questão; para mim, um tanto óbvia: se não tenho certezas se estarei vivo amanhã, por que fazer planos apenas e principalmente para o amanhã?
Notem bem, apenas e principalmente! Duas palavras que mostram que não me declaro, então, contrário ao ato corriqueiro e comum de pensar no amanhã! Não há oposição alguma em meu ser ao planejamento. Em um mundo extremamente instável, planejar torna-se quase que obrigação. Mas a mesma incerteza que nos impulsiona na busca pela segurança no amanhã, deve ser adotada como parâmetro para a ação do hoje. Ou seja, a instabilidade do mundo nos mostra o que nem sempre enxergamos: o fato de não ter certeza alguma sobre o amanhã é suficiente para nos motivar a experimentar o hoje em plenitude.
Sempre digo que não sou adepto de extremos. O caminho – não digo perfeito, mas ideal – é o equilíbrio. Nesse caso, especificamente, significa viver o hoje, tendo no pensamento um leve toque do amanhã! E essa foi uma decisão que tomei; por isso, decidi abandonar alguns dos meus planos para o futuro. E mesmo tendo desistido deles, não pretendo deixar ninguém curioso. Não vou esperar o amanhã para revelá-los; farei isso agora:
Planejava, daqui a alguns anos, dizer ao mundo que não há homem mais importante em minha vida que o meu pai. Revelar que o processo de aprender a amá-lo e vencer as nossas inúmeras diferenças transformou-se em um dos principais alvos da minha vida. Deixo a corrida em busca de poder e glória humanas aos outros, relego-a ao segundo plano, enquanto corro em busca do maior prêmio alcançável nessa terra: a plenitude do Amor. Aprendi que tudo passa. E o único elo capaz de manter perfeitamente unidas duas almas, a despeito da morte, é o Amor.
Também planejava, para um dia um tanto incerto de meu futuro, explicar por que resolvi investir especialmente na comunhão. Palavra que considero extremamente bela. Na raiz quer dizer comum união. Ou seja, ponto de igualdade capaz de unir duas pessoas, mesmo que intensamente distintas. E essa capacidade está no relacionamento. Pessoas, por mais diferentes que sejam, precisam e querem – desesperadamente – relacionar-se; buscam, a todo instante, o encontro com o próximo. Eu planejava escrever em um livro esses ensinamentos, a fim de que todos soubessem o bem precioso que meu pai me fez enxergar, através do Amor que sempre nutriu pela sua família, a despeito de qualquer diferença que os pudesse afastar. Diria a todos que ele me mostrou que não há diferença capaz de burlar a eficiência do Amor entre dois seres.
Outro projeto que abandonei é explicar aos homens o significado, infelizmente perdido, da palavra vencedor. Muito antes do dinheiro assumir – de forma lamentável – a função de protagonista em nossa sociedade, os vencedores eram aqueles que apostavam em seus valores e princípios até a morte. Caso a luta se tornasse necessária, o vencedor aceitava o risco de abreviar sua existência; porém garantindo a integridade. A todos que encontrasse, diria que o maior vencedor que conheço é o homem que me criou. Nunca encontrei quem mais tenha aberto mão do poder por Amor. Em minha curta vida, percebi que raros são os que ajudam sem questionar. Doam sem se arrepender. E perdoam sem considerar merecimento. Meu pai sempre soube que perdão é Graça. Não é dado àqueles que se dizem bons. Mas principalmente aos que se sabem incapazes de o ser.
Desisti do plano de esmiuçar o que é sucesso. Os parâmetros estão invertidos. Sucesso foi confundido com fama. O tanto que uma pessoa é conhecida, ao contrário do que muitos pensam, não é proporcional ao sucesso que ela tem na vida. A despeito do que pensam os ingênuos, sucesso não se faz com dinheiro, fama ou poder. Antes, é colheita que se faz diariamente, demonstrada através do respeito recebido, do Amor vivenciado, e da comunhão experimentada com o próximo. Aos que não o conhecem, diria que meu pai é um bom exemplo. Muitas foram as vezes que ouvi elogios ao seu caráter. Entre outras coisas, referências à sua vida de filho, marido, pai, tio e irmão. Um homem que tem a coragem de amar e colocar a família sempre em lugar de honra. Com reverência humilde, amorosa e sincera.
Por fim, também abandonei a vontade que tinha de explicar ao mundo a necessidade de uma vida de coragem. Disposição de espírito essa que, ao contrário do senso-comum, não implica em viver a vida sem a presença do medo. Muito pelo contrário, ter coragem é aceitar a realidade do medo, sem se render e se curvar a ele. Um ser corajoso é aquele que, como meu pai, vive a luta de cada dia, superando o medo. Ele sabe que cada dia guarda seu próprio mal e, mesmo assim, não desiste e não se queixa de viver.
Antes que me perguntem por que joguei esses planos ao vento; ou que me questionem por que dispensei essa lista de projetos para o futuro, prefiro esclarecer minha motivação. Que é muito simples. A verdade é que seria incoerente continuar planejando tudo isso para o amanhã. Pois nem de relance sei se estarei vivo. Sequer posso imaginar se me ouvirão.
Decidi então abreviar. E fazer dos meus planos para o futuro a realidade do meu presente. E no meu hoje, meu herói está vivo! E se faz digno de saber tudo aquilo que aprendi nesses anos em que com ele estou. Talvez eu até retome esses planos no meu futuro. Mas, isso, só o amanhã dirá. Por enquanto, paro aqui – no presente. Como disse, cansei de planejar. Meu pai está vivo e isso faz do hoje infinitamente melhor que qualquer amanhã...
Hugo Rocha
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Aqui
Sem justificativas
Sem explicações
Justiça nunca pretendi
Não sou justo
Nem sequer almejo
Sou o que sou
Sem culpas
Sem dever
Logo, quase nada do que faço
é humanamente justificável
Tudo é apenas aplicável
Acontecimento, fato, algo natural
Assim como a chuva, sem aviso
e o vento repentino
Estou aqui
uma vez mais
Hugo Rocha
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Contradição
Desejo de vida
Sentimentos que me tomam
Partindo-me em dois
Revelam aquilo que sou
Total contradição
Por que morrer?
Por que viver?
Sensação dúbia
Incoerência
Já sou obrigado
a viver
E também a morrer
Não há por que
nada disso antecipar
Sinto-me só
Não tenho mais amizade
com a vida
Tampouco simpatizo-me
com a morte
Descubro, uma vez mais,
que não tenho lugar no mundo!
Sou essencialmente só
Hugo Rocha


