quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Comunhão
não tenho mais fôlego algum
Mas, para a beleza da vida,
entrego toda a minha alma
Para certos caminhos,
não me sobra qualquer disposição
Mas, para a vida em comunhão,
entrego o meu coração
Para certos caminhos,
falta-me paciência e respeito
Mas, para as surpresas do Caminho,
direciono toda a minha expectativa
Para certos caminhos,
não tenho tempo a oferecer
Mas, para vocês, amigos, irmãos,
dedico toda a vida que ainda me resta
Hugo Rocha
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Tentativa
não é poesia,
aceito!
Se afirmam que não há ritmo
cadência ou rima,
concordo!
Se repetem que não existe
muito – ou qualquer – sentido,
reconheço!
Se acusam-me de incoerente
e de contraditório,
assumo! O sou
Se argumentam que não sou poeta,
está bem!
Não me importo
Se orientam que eu pare de escrever,
ignoro... e insisto!
Sou incorrigível.
Tentativa eterna de ser poeta,
ainda que, para todos,
frustrada!
Hugo Rocha
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Saudade...
Lembro-me vagamente de quando me mudei para a casa onde moro com meus pais e irmãs. Já me esqueci de tanta coisa. Mas não é possível esquecer do Antônio. Casado com a Cátia, pai de Natália e Rafael. Acima de tudo, atleticano!
Lembro-me do som do radinho de pilha. Naquela época, qualquer barulho na casa dele era facilmente ouvido aqui em casa. A voz de Willy Gonser - o mais completo do Brasil - invadia o meu quarto. Na narração emocionante dos jogos do Galo. Como todo atleticano, Antônio era feliz apenas por torcer pelo Galo. Fora a torcida mesmo, o time não fornecia alegrias. Mas era notável a felicidade dele apenas por ouvir seu Galo na Itatiaia.
Outra lembrança é dos sumiços do Antônio quando o Galo perdia feio. Frequentes. Pois perder feio não é raro em se tratando do Atlético.
Mas o que mais me marcou foi um dia 2 de outubro. No dia 1º o Galo havia perdido - de forma ridícula - para algum time. Eu sequer lembrava. Fui todo feliz parabenizar o Antônio por mais um aniversário. Mas ele não me recebeu. A paixão pelo time o havia feito esquecer do seu próprio dia.
Acabo de receber a notícia da morte do Antônio. Ah, Antônio. Vai deixar saudade...
À Cátia, mulher guerreira e forte, e aos seus filhos, meu abraço e meu beijo carinhosos de amor e conforto...
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Gratidão
Despedidas são tristes. Palavras não servem. Consolos não bastam. Sorrisos apenas disfarçam. Enquanto as lágrimas revelam. Evidenciam a dor. Inevitável. Dor pelo medo do novo. Mas, principalmente, por uma ausência que se torna presente. Nova companheira. Também chamada saudade!
A vida é feita de despedidas. De todas as formas. Em todos os momentos. São elas que marcam a transição entre as etapas do viver. Mudança tão necessária ao crescimento, que não pode – nem deve – ser evitada. Do contrário, evita-se o sofrer pela presença intensa de uma ausência, mas entrega-se à escravidão da estagnação. A vida para! Perde o encanto. Fica sem graça.
Viver exige movimento. Novidade. Transformação. Vida sem movimento perde a beleza. Tudo é conhecido. Tudo é permanente. Viver deixa de ser atraente.
A vida que para se transforma em subsistência. Dias pesados. Sempre iguais.
Gosto de novidade. Por isso, decidi fazer de cada despedida um momento único de devoção. Apenas assim é possível amenizar a dor da separação e deixar-se dominar pelo sentimento de gratidão. Reconhecimento do que se ganhou na etapa que se encerra. Esperança de que dias melhores – sempre – virão.
Se despedidas são necessárias, comemorações também são. Então, nos momentos de partida, escolhi não lutar contra as lágrimas. Decidi apenas esforçar-me para secá-las com o calor intenso do meu sorriso e da minha gratidão!
Hugo Rocha
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Sou
Dádiva que a mim se achega
Esperança que se apossa...
De mim?
Sim, de mim!
Sensação nova
Estranha,
Tão bela
Força que me toma
Pega-me num estado
de absoluta surpresa
Mas... não!
Agora é que começo
a perceber:
não há esperança em mim
Nela meu ser se tornou
Esperança é o que sou
Hugo Rocha
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Os ombros suportam o mundo
Tempo de absoluta depuração
Tempo em que não se diz mais: meu amor
Porque o amor se resultou inútil
E os olhos não choram
E as mãos tecem apenas o rude trabalho
E o coração está seco
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes
És toda certeza, já não sabes sofrer
E nada esperas de teus amigos
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
e nem todos se libertaram ainda
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
preferiram (os delicados) morrer
Chegou um tempo em que não adianta morrer
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem
A vida apenas, sem mistificação
Carlos Drummond de Andrade
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Tanta dor
Pobres, queridas, amadas
Tanta dor se acumula em mim
Por não tê-las mais aqui
Próximas
Quando de vós eu necessitar
Triste é saber que ninguém as viu
Que o mundo não as pôde conhecer
Ceifadas que foram
Antes mesmo da primeira infância
A dor é inexplicável
Inigualável
Profunda
Intensa
Forte
Em meio à tristeza,
Palavras perdem a força
A única alternativa
é chorar
Serão as lágrimas capazes,
Capazes de exprimir
e levar com elas tanta dor?
Apenas o tempo dirá
Hugo Rocha
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Pessimista, sim; porém esperançoso...
Otimismo e esperança não são a mesma coisa. Otimismo é a crença de que o mundo está mudando para melhor; esperança é a certeza de que, juntos, nós podemos fazer o mundo melhor. Otimismo é uma virtude passiva; esperança é uma virtude ativa. Não é preciso ter coragem para ser otimista, mas é preciso ser muito corajoso para ter esperança.
Rabino Jonathan Sacks em "Para curar um mundo fraturado - a ética da responsabilidade" - Editora Sefer, p. 206
Não preciso acrescentar nada às sábias palavras de Sacks! Pessimista, sim; porém esperançoso...
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Rótulos
Conversava sobre teologia com dois conhecidos católicos. Inevitável foi, numa certa altura do bate-papo, que surgisse a tão recorrente pergunta, apresentada num misto de inquérito e afirmação.
- Você não é católico?
- Não.
- Então você é evangélico!?
- Não, não sou evangélico.
- Você tem religião?
- Não.
- Então você é um sem-religião?
- Provavelmente sim. É, acho que sou.
- Você acredita que o homem pode crer em Deus exclusivamente através da razão e é contra a revelação?
- Não. Eu creio em revelação!
- Ah, então você não é sem-religião! Os sem-religião acreditam que %$%%@**@**. Também acham que @**@**%$%%@**@**. Inclusive, para eles, a %$%%@**@**%$%%@**@**.
Enquanto isso, esforço-me para ficar calado, mantenho um meio-sorriso no rosto e minha mente comenta comigo mesmo: quanta idiotice sou obrigado a ouvir. Haja paciência!
Quando, enfim, termina a explicação, arremato:
- Ok. Não sou sem-religião, mas não tenho religião.
Fim de conversa e começo a pensar. Por que o ser humano precisa tanto de rótulos? Eu não preciso e nem sequer gosto deles. Rótulos me enojam.
E eu que pensava – preconceituosamente, assumo – que esse tipo de discussão/explanação fosse privilégio dos evangélicos. Esqueci-me que isso tem a ver com o fanatismo e não apenas com a religião.
O vício é sempre prejudicial – seja pelo que for. Eu não gosto de religião, mas gosto de beber. Se passar da conta, corro o risco de tornar-me dependente, um alcoólatra. Bêbados são chatos!
Assim como chatos também são os religiosos fanáticos. Por isso, se você gosta de religião [e não gosta de cerveja. Ou gosta... tanto faz] cuide-se também para não ficar chato. Álcool demais faz mal! E religião demais surta...
Pela brisa que se foi
*C.Wesley
Quando os ventos não mais soprarem
E as aves dos céus abandonarem o seu vôo
Por lhes faltar a calma do vento sob as asas
Estarei aqui, ainda sob o soprar de uma suave brisa
Quando as praças ficarem vazias
E as folhas secas das árvores invadirem
O lugar por onde andavam seus pés
Estarei aqui, ainda sob o soprar de uma suave brisa
Quando os tetos se desfizerem
E a tempestade desaguar em furor
E as águas armarem poças por onde assentavas
Estarei aqui, ainda sob o soprar de uma suave brisa
Quando os sons se calarem
E tudo silenciar meus gritos
E onde havia a sua voz não houver nem mesmo um sussuro
Estarei aqui, ainda sob o soprar de uma suave brisa
Quando eu esperar o amanhã
E o hoje não me der outra saída
E nele sentir que o tempo não passa
Estarei aqui, ainda sob o soprar de uma suave brisa
Quando essa brisa se acabar
E não restar mais nada então
Que me possa manter aqui
Então irei, pela brisa que se foi
*Carlos Wesley é mineiro de Belo Horizonte. Músico, compositor e poeta. Amigo, que encontro na estação da vida chamada Hoje.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Sada-Cruzeiro?
A – infeliz – transferência do time para Belo Horizonte é quase certa. Triste, pois a torcida de Betim, que muito empurra e levanta o time, ficará afastada dos jogos. É inquestionável o crescimento do Sada-Betim nos últimos anos. E muito disso essa torcida acompanhou. E, creio eu, a ela os méritos são devidos.
Outro ponto a se considerar: como ficarão os torcedores do Sada-Betim que torcem pelo Galo? Passarão a gritar Sada-Cruzeiro? A se considerar a paixão e a rivalidade propiciadas pelo futebol, certo é que não!
Torço para que o desfecho desse imbróglio – que, pelo que se pode ver, é prioritariamente político - seja não tão triste.
Hugo Rocha
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Descobrir
Descobrir amigos é algo muito gostoso. Interessante. Inesperado. Quase sempre surpreendente. Difícil entender. Ou melhor, impossível.
Talvez porque não exista lógica alguma nas amizades. Fazer amigos não exige coerência. Por isso, normalmente não há explicações. Acredito que amizades apenas acontecem. Como um sorriso em meio à dor. Não há porquês.
Felizmente – e frequentemente – experimento a alegria de descobrir um amigo. Nas ruas, nas praças, nos cantos. Nos momentos de dor. Nos momentos de paz. No inesperado.
Descobrir amigos é alegria. Mas ter amigos traz muita dor. Exercício de arriscar-se a viver a comunhão – mesmo sob o risco iminente da decepção. Amizade é contradição.
Hugo Rocha
sábado, 3 de janeiro de 2009
Ações diabólicas
Chamem-me de pessimista - ou qualquer outro adjetivo, mas 2009 tem tudo para seguir a lógica de que a cada ano as coisas tendem a piorar.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Chuva
A chuva não para [nota: é a primeira vez que escrevo esse 'para' sem acento agudo no primeiro a. mudança mais significativa, até o momento, em meu 2009]! Cruel, simplesmente destrói. Leva, em seus braços, vidas e semi-vidas. Bens e semi-bens. Casas e semi-casas.
Ela não tem pena. Muito menos compaixão. Obedece aos instintos. E, por não ter vazão por onde deveria, corre pelos trajetos que encontra. Não importa quem ou o que esteja no caminho... O importante é fugir, escapar...
2009 começa! E a força da água que carrega vidas é a mesma que deixa turbulenta a minha alma. Não, não estou feliz. Nem almejo ficar. Quero apenas ficar bem. Mas, pra isso, a chuva que atormenta meu coração precisa parar.
No primeiro Jornal Nacional de 2009, os destaques da virada.
No Rio, show de fogos em Copacabana;
Em São Paulo, comemoração na Avenida Paulista;
No Rio Grande do Sul, grande concentração na Usina do Gasômetro, em PoA;
Em Brasília, multidão na Esplanada dos Ministérios;
Em Santa Catarina, show de fogos histórico em Florianópolis. Até lá...
Em Minas, três mortes causadas pela chuva. De positivo, o ótimo vt da Isabela.
Hugo Rocha
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
2009
Na passagem de 2008 para 2009, meu coração entoava:
"Heal my heart and make it clean
Open up my eyes to the things unseen
Show me how to love like You have loved me
Break my heart for what breaks Yours
Everything I am for Your kingdom's cause
As I walk from earth into eternity"
(Hosanna, Brooke Fraser)
A todos, meus sinceros desejos de boas-vindas!