Sou teu amigo! Certo é que não me conheces. Nem eu, presencialmente, a ti. Mas te conheço bem mais que me conheces. E, por isso, arrisco-me a dizer o quanto és precioso para mim. Mesmo sem saber se lerás a expressão de meu sentimento. A ti, amigo. Companheiro. Irmão.
Não há ninguém que consiga me provar que não posso ser teu amigo. Há muito deixei de considerar amigos aqueles que por mais tempo estiveram ao meu lado. Desde então, meu coração alçou voo em direção a ares dantes ignorados. Locais pouco explorados. Nessa jornada, descobri-me amigo de escritores. Poetas. Cronistas. Romancistas. Antropólogos. Sociólogos. Filósofos. Pastores. Padres.
A maioria desses meus amigos nunca me conhecerá. Dos que estão vivos, provavelmente poucos – ou nenhum – terão notícias de mim. Mas isso não me importa. As pessoas que me cercam sabem o quanto admiro cada um deles. Dentre esses, estás presente. Em um lugar de honra. Intransferível. Em meu coração.
Lembro-me, como se fosse hoje, como nossa amizade começou. Através de alguns versos escritos por ti em forma de canção, meu coração encontrou o teu. A paz. A satisfação. O sentimento irreversível de que algo nos unia. O Amor de Deus. Em Cristo. Como explicar tamanha identificação? Como explicar tão inebriante paz? Não posso! Sou humano demais pra compreender...
Assim como em toda amizade, logo veio o desejo imenso de conhecer um pouco mais do amigo. Ler. Ouvir. Conhecer. Admirar. Falar. Todos os que me cercam passaram a conhecê-lo. Sem rótulo algum. Apenas como “um homem que entendeu o Amor”. Nunca fui fã de rótulos. O que somos? Simples! Apenas aquilo que essencialmente somos. Títulos ou palavras não o podem exprimir. E assim és para mim.
Teus conselhos aos desesperados. Tuas palavras aos feridos pela vida. Tua atenção aos que, dilacerados por dores causadas pelo mundo, procuram alívio. Teu esforço em remar contra a maré da indiferença que toma as rédeas da sociedade. Tua determinação em motivar o próximo nessa jornada. E, sobretudo, tua paciência e amor para lidar com aqueles que, por não terem virtude suficiente para entregar a própria vida em prol de uma causa que coloque o amor ao próximo como parâmetro de atitude e conduta, decidiram apenas atirar pedras. Palavras. Gestos. Ofensas.
Hoje, quero apenas te agradecer. E, quem sabe, deixar que minhas palavras sirvam como bálsamo que te ajude a curar as marcas dos ataques de quem escolheu simplesmente odiar. Não almejo nada, além de expressar quem és para mim. Companheiro de jornada. Habitante eterno em meu coração.
Hoje, quero dizer que tornaste-te, para mim, um exemplo. De homem. De amigo. De servo. Quero copiá-lo naquilo que tens de melhor. Ser melhor homem. Melhor amigo. Mais servo. Mais fiel e amoroso para com quem a mim se achega carente de cuidado e atenção. Não quero, com isso, atar um fardo a tuas costas. Um peso que te dificulte a caminhada. Não! O fato de seres exemplo para mim não inclui qualquer tipo de cobrança. Não tens que suprir minhas expectativas pessoais. De ti, nada espero além de continuar tendo-te como amigo. Isso basta. Não desejo nada mais. Apenas que meu amor e admiração por ti sirvam como combustível para a tua bela e nobre jornada.
No Amor dEle, em Quem pessoas desconhecidas e separadas por limitações geográficas, reconhecem-se amigas;
Hugo Rocha
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Carta a um amigo
Poesia
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.
Carlos Drummond de Andrade
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Constatação
Uma constatação. A sociedade brasileira está muda! Paralisada. E eu? Continuo sendo levado pelo ritmo suave, falsamente gostoso e imperceptível da indiferença? Ou tento remar contra essa correnteza que tanto me oprime?
Escrevi, certa vez, que
A maior questão a ser discutida, hoje, é se há amor ou não.
Em cada ato, questão, informação...
O resto é resto,
e pode esperar!
Acho triste perceber que a Moral Cristã (no que se refere ao Cristianismo, e não, terminantemente, a Cristo) passou a reger os relacionamentos em nossa sociedade. Lembro de algo que escrevi em setembro de 2007:
Alheios às condições sociais de desigualdade e injustiça social, muitos justificam tudo como “escolha de Deus”, remetendo a Ele toda responsabilidade e, até, culpa pelas mazelas humanas. Exemplos não faltam de pessoas que deixam de ajudar a quem precisa por diferenças de religião e credo. Guerras são cometidas sob a presunção da aprovação divina. Pessoas são assassinadas em nome de um deus a quem nunca se conheceu. Pois se o verdadeiro Deus é Amor, é justamente este sentimento o que mais falta à religião. A presunção de superioridade elimina o Amor e gera guerras, brigas, conflitos, divisões e mortes. E a paz, tão gritada pelas religiões, fica apenas no papel, já que leis e tradições valem mais que a vida, na hora da decisão. O orgulho vale mais que o Amor e a guerra é mais importante que a Paz, se o resultado servir para provar quem carrega a verdade. Verdade esta que é tão falsa quanto a religião que se vive.
Em meio à turbulência em minha alma, um grito de alerta se faz a cada dia mais presente: o Caminho é Cristo! O Cristianismo é um atalho mal construído. É um alerta. Desejo que todos fujam da religião antes que percam a alma. Não há outro caminho que se possa seguir por lá. O destino é um. E certo! Indiferença.
De lá para cá, exemplos do que escrevi acima não foram poucos. Mas a Esperança também renasce, dia após dia, no (re)encontro com pessoas do meu passado. Vidas que foram tocadas pelo Amor. Despertadas para a consciência da inclusão. Necessidade alarmante em uma sociedade que apenas exclui.
E eu, aonde vou?
Respondo com uma frase de meu amigo Ricardo Gondim, companheiro de caminhada: "Posso não saber ainda para onde vou, mas estou cada dia mais certo dos caminhos por onde não devo ir."
Sempre - e apenas - certo de uma coisa. Onde houver Amor, prometo, lá estarei.
Hugo Rocha
sábado, 21 de fevereiro de 2009
Apenas Teu
apenas Teu,
seja aquele que ama
Sendo eu assim,
apenas Teu,
seja aquele que vive
Sendo eu assim,
apenas Teu,
seja portador da Paz
Sendo eu assim,
apenas Teu,
que seja realmente
intensamente
e eternamente
Teu
Hugo Rocha
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Uma vez mais
Muito se enganam os que pensam que sou inimigo do silêncio. Minha freqüente agitação não é absoluta. Também gosto dos casulos. Da reclusão. De estar só.
Antes mesmo que venham as perguntas, ofereço a reposta: Não, minha constante presença e vivacidade não escondem uma faceta que eu almeje ocultar. Elas realmente fazem parte de mim, tal qual meu desejo pela solidão. Sou de presença. Mas também sou de ausência. Sou – e nunca neguei – contradição!
A ambigüidade em mim se encarna. E convivemos bem. Ela comigo. Eu com ela. Todo ser é assim. Trevas e Luz. Um dia na Terra: vinte e quatro horas. Quase metade reservada à Luz. A outra parte reservada à Escuridão. Alguns prefiram dormir enquanto é noite. Outros trocam a noite pelo dia. Convivem bem com a escuridão.
Assim são os homens. Não há pessoa em quem não habite Luz. Tampouco há alguém livre das Trevas. A diferença é que quem aceita essa realidade vive melhor!
Quem se envergonha das suas Trevas, gasta muito tempo tentando escondê-las. E acaba por esquecer da própria Luz interior. Não sobra tempo para brilhar.
O contrário é muito mais belo – penso eu! Quem reconhece e aprende a com-viver com as Trevas pessoais, não perde tempo tentando ocultá-las. Sabe-se possuidor, também, de Luz. Faz de cada dia da Vida uma oportunidade de brilhar.
À noite, normalmente, é reservada para cuidar das Trevas. Dormir. Descansar. Repousar. Vivo, agora, a minha noite. É hora de me cuidar. Ou melhor... deixo que o Amor cuide de mim. Enquanto isso, apenas descanso. Amanhã, talvez, já tenha amanhecido. É preciso estar sempre pronto a brilhar... uma vez mais!
Hugo Rocha
sábado, 14 de fevereiro de 2009
É estranho estar bem...
Nos momentos maus, toda e qualquer expressão de Amor – por menor ou mais simples que seja - é capaz de me despertar para a Esperança. Confiança que dias melhores – sempre – virão. Não é auto-ajuda, sequer pensamento positivo. Acho que a isso alguns dão o nome de Fé: crer apesar de qualquer circunstância desfavorável. Não sei se também daria o nome de Fé. Acho até que não. Mas, por falta de uma melhor definição no momento, contento-me com essa.
Gosto das minhas próprias definições! Mas aceito várias anteriores a mim. Um exemplo: gostaria de saber quem foi que definiu que estar bem pode ter o nome de Paz! Alguém inteligente disse, certa vez na História, que há uma paz que excede todo entendimento. Gosto dessa definição. Não por lógica ou beleza. Apenas porque a experimento e a absorvo em meu ser. Não dá pra entender mesmo; apenas viver!
Uma das definições que não uso muito é a que foi dada a Ele. Quem é Ele? Difícil explicar. Não gosto de prendê-lo em definições. Mas convencionou-se, sei lá desde quando, chamá-lo pela junção das letras d, e, u, s. O que forma o vocábulo Deus. Não gosto! Chamo-o de Amor. Sei lá o motivo, mas prefiro que seja assim.
E é por causa desse Amor – extraordinário, perfeito e que ultrapassa os limites da compreensão humana – que me sinto bem – e até melhor - em momentos como o Hoje. Quando a turbulência me atinge, a voz do Amor torna-se mais perceptível. Ela se apresenta nas pequenas atitudes de pessoas que gostam de mim.
Nesta semana, pude perceber bem o Amor:
- nos olhos da minha melhor amiga, Bell, que voltou para o Acre, mas ficou em mim;
- no encontro com Pedro, C.Wesley, Laryssa, Elida e Marina na mesa de um bar;
- nas ligações e palavras carinhosas de um grande amigo, sempre presente, o Felipe;
- no aconchego do meu lar, com meus pais e irmãs;
- na ligação – inesperada – do meu irmão mais velho que mora em Goiânia;
- no convite para o baile de formatura da Sarah, minha prima.
Daqui a pouco saio para comemorar com ela. É óbvio, pelo menos para mim, que nada disso existiria não fosse o Amor. É Ele que nos deixa felizes ao ver pessoas que gostamos alcançando o desejo do seu próprio coração. É Ele que nos faz esquecer que as coisas vão mal e que nos permite descansar. Na segurança que, enquanto existirem amigos e família, a Vida nunca nos deixará.
Hugo Rocha
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Filho do Amor
Cativaste meu coração
com simplicidade
E despertaste em mim
toda a ternura
outrora adormecida
apagada pela dor
Enterneceste meu olhar
Que, uma vez mais,
pode brilhar
Sorriso sincero
Mostra quem sou:
filho do Amor
Tomaste-me de mim mesmo
Agora sou Teu
E assim será
Enquanto for essa, não a minha,
Mas a Tua decisão
Hugo Rocha
(para você!)
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Nada mais
que de mim sai;
assusta-me!
Alegria sincera,
exultação que surpreende
minh’alma
Satisfação,
por apenas viver!
Do pó vim
Para ele tornarei
Sem nada levar
Em minha memória
Em meu último suspiro
Somente lembranças
Nada mais
Hugo Rocha
sábado, 7 de fevereiro de 2009
O amor
O amor deve ser sincero. Odeiem o que é mau; apeguem-se ao que é bom. Dediquem-se uns aos outros com amor fraternal. Prefiram dar honra aos outros mais do que a si próprios. Nunca lhes falte o zelo, sejam fervorosos no espírito, sirvam ao Senhor. Alegrem-se na esperança, sejam pacientes na tribulação, perseverem na oração. Compartilhem o que vocês têm com os santos em suas necessidades. Pratiquem a hospitalidade. Abençoem aqueles que os perseguem; abençoem, e não os amaldiçoem. Alegrem-se com os que se alegram; chorem com os que choram. Tenham uma mesma atitude uns para com os outros. Não sejam orgulhosos, mas estejam dispostos a associar-se a pessoas de posição inferior Não sejam sábios aos seus próprios olhos. Não retribuam a ninguém mal por mal. Procurem fazer o que é correto aos olhos de todos. Façam todo o possível para viver em paz com todos. Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: "Minha é a vingança; eu retribuirei" diz o Senhor. Ao contrário:
"Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber. Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele”.
Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem.
Paulo, na Carta aos Romanos
Minha gratidão
minhas esperanças deposito
Um grito lancinante
toma forma em minha garganta,
mas fica retido em minhas cordas vocais
Silêncio!
Teu olhar perscrutador mira
meu coração
Vês toda tristeza
que a mim se encarnou
Dor,
interseção entre mim e Ti
Junto a Ti,
envolto sou em Paz
Segurança
Sensação
Tudo ficará bem
O dia se aproxima
em que o mal não mais existirá
Face a face contigo,
apenas as lágrimas
Suficientes para exprimir
minha gratidão
Hugo Rocha
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Fragmentos da Vida...
“Por que dura a minha dor continuamente, e a minha ferida me dói e não admite cura? Serás tu para mim como ilusório ribeiro, como águas que enganam?” (Jeremias 15.18)
“Eis que tens ensinado a muitos, e tens fortalecido a mãos fracas. As tuas palavras têm sustentado aos que tropeçavam, e aos joelhos vacilantes tens fortificado. Mas agora em chegando a tua vez tu te enfadas, sendo tu atingido te perturbas. Porventura não é o teu temor de Deus aquilo em que confias, e a tua esperança a retidão dos teus caminhos?” (Jó 4.3-6)
“Pois tu, ó Deus, nos submeteste à prova e nos refinaste como a prata. Fizeste-nos cair numa armadilha e sobre nossas costas puseste fardos pesados. Deixaste que os inimigos cavalgassem sobre a nossa cabeça; passamos pelo fogo e pela água, mas a um lugar de fartura nos trouxeste.” (Salmo 66.10-12)