sábado, 28 de março de 2009

Des-evangelho

Outro pastor me escreveu:

"Caio, aqui na minha região a gente não pode mais falar nada contra o que você diga que o povo se revolta. Dê um jeito nisso. A gente tem que poder dizer as coisas também..."

Apenas disse:

"Diga conforme o Evangelho..., e ninguém contestará você! No mais, mano, não tenho como ajudar. Ou você quer o quê? Que eu não pregue o Evangelho a fim de que você tenha o conforto de anunciar o desevangelho?"

Caio Fábio
em trecho do texto Xôôôô morcego

quarta-feira, 25 de março de 2009

Luto: Jairo Anatólio Lima

Morreu, nesta tarde, Jairo Anatólio Lima, grande nome da crônica esportiva no rádio de Minas Gerais. Ele estava internado em Belo Horizonte com uma infecção pulmonar. Nota triste desta quarta-feira, quando, logo mais, será disputada a última rodada da fase classificatória do Campeonato Mineiro 2009. O corpo será velado, a partir das 21h, na sede do Galo, no bairro de Lourdes. Jairo, que era atleticano, morreu no dia em que o Clube Atlético Mineiro completa 101 anos.

Leia a íntegra da nota divulgada pela Rádio Inconfidência em seu site:

RÁDIO BRASILEIRA DE LUTO: FALECEU HOJE O RADIALISTA JAIRO ANATÓLIO LIMA

A Rádio Inconfidência comunica, com profunda tristeza, o falecimento hoje, dia 25 de março, às 13 horas, de Jairo Anatólio Lima, um dos profissionais mais queridos e respeitados em toda a história da emissora. Em seus 81 anos de vida, completados nesta última segunda-feira, Jairo Anatólio dedicou 68 anos de trabalho à Inconfidência. Tendo iniciado a carreira na emissora como contínuo, aos 13 anos de idade, Jairo chegou à diretoria artística, deixando como legado, especialmente na área esportiva - onde brilhou como ninguém -, uma trajetória de competência, seriedade e profissionalismo. Para os que conviveram com Jairo, fica o exemplo de um profissional raro. Para o rádio mineiro, uma lacuna irreparável. Para toda a equipe da Inconfidência, uma saudade sem tamanho.

Relutante, desisto

Frequentemente, percebo-me tomado por uma tristeza infértil. Tristeza que machuca, mas não cria. Que fere, mas não impulsiona. Dilacera, mas não faz avançar.

A luz que outrora havia, mesmo que distante, afasta-se cada vez mais. Como uma miragem no deserto. Distância que aumenta. Cenário novo que nunca se aproxima. Cada vez mais distante. Viagem sem fim.

Sem forças para prosseguir, me entrego. Não é a coerência que me faz querer descansar. O desejo de parar é devido à total falta de opções. Do meu coração, ergue-se o clamor “Deus, ajude-me a parar!”. Em meu coração, o desejo inesgotável pela chegada do fim. Não quero mais nada. Contraditoriamente relutante, desisto!

Hugo Rocha

terça-feira, 24 de março de 2009

A vida

Sistemas lógicos nos entediam. Rejeitamos moralismos. Bocejamos com pieguices. Suspeitamos das ideologias. Tememos demagogias. Rechaçamos totalitarismos. Fugimos das intolerâncias.

Chamamos o pão que nos alimenta de dignidade. A água só nos hidrata quando borbulha com afeto. Não queremos tratados, basta-nos um ombro. Pagamos exorbitâncias para que alguém nos ouça com um rosto amoroso.

Corremos qualquer distância para assistir ao poeta em êxtase. Amamos palcos, telas, picadeiros. Enriquecemos o artista. Rebelados contra os grilhões da imanência, ambicionamos por transcendência. Magia, fantasia, ficção, tudo nos encanta. Dêem-nos parábolas e compreenderemos o Reino Eterno. Fábulas nos municiam de critérios éticos para a próxima escolha. Tramas, enredos, ficções ensinam o amor, a vingança, o ciúme, a bondade.

Para nos manter, dependemos de abraços, sussurros, pele, suor, olhares. Não esperamos explicações sobre o Divino, preferimos degustá-lo. Entre a possibilidade de entender o Grande Mistério e ser mergulhado em sua presença, mil vezes optamos por um batismo de amor. Concebidos na paixão, aspiramos sentimentos. Alimentados por seios, crescemos atraídos pelo belo.

Cores nos inebriam, brilhos nos entusiasmam, trevas nos adormecem. Equações matemáticas explicam a métrica da melodia. Compassos organizam anarquias. Canções nos embevecem. Organizamos orquestras para perpetuar o magnífico. Executemos o jazz para enaltecer o improviso. Criamos, imitamos o Criador.

Não só existimos, vivemos!

Soli Deo Gloria

Sabedoria (?) popular

No ônibus, indo para o centro de BH, presenciei o seguinte diálogo, na tarde de ontem:

O motorista vira para um senhor que ocupa a área especial para maiores de 65 anos e pergunta:

- E o Clodovil, morreu mesmo? Acabou que não liguei minha TV desde o dia em que o senhor me falou. Eu fico até um mês sem ligar ela.

Ao que o senhor responde:

- Morreu mesmo! É... no Brasil, a pessoa precisa morrer pra gente descobrir que ele era um grande homem.

O motorista, intrigado, questiona:

- De quem o senhor está falando?

- Do Clodovil. Ele era um grande homem. Deu pra ver pelas reportagens.

- Ah, o senhor vai me desculpar. Grande ele até podia ser, mas homem... não!

sexta-feira, 20 de março de 2009

Uma jornada de amor

O comportamento do próximo, quando diferente do nosso, nos incomoda. É a experiência de viver em comunidade que nos revela essa verdade recorrente. Falo especialmente da preocupação que invade o espaço do próximo, e não daquela motivada pelo cuidado amoroso e saudável que, naturalmente, devemos ter por aqueles que amamos.

Nas sociedades e comunidades que se intitulam cristãs, a invasão do espaço do próximo se revela na nossa preocupação com aquilo que ele faz. Com isso, não temos tempo para atender o chamado de Cristo de amá-lo como amamos a nós mesmos. Amor que exige descobrir antes quem o outro é.

A dificuldade que temos em aceitar que aquele que pratica coisas condenáveis aos nossos olhos é igualmente incluído pela Graça e pelo Amor do Deus-Pai revela que ainda não compreendemos a plenitude e a grandeza do chamado de Jesus. Quando nosso olhar moral sobrepõe o olhar amoroso de Cristo, somos revelados. Se tivermos coragem suficiente de encarar aquilo que nos habita, vamos perceber que o outro faz coisas que nós também gostaríamos de fazer. Quando emitimos juízo, condenamo-nos também. Simples assim.

Aos nossos olhos, estamos abrindo mão de algo que nos interessa. E é nesse espaço que a linha tênue entre Graça e Lei se evidencia: na sensação de auto-justificação. Pela percepção religiosa, entende-se que se passou a seguir certas normas para obter a aprovação divina e, também, dos homens. Pelo panorama de Cristo, as práticas que abandonamos não têm mais qualquer relevância para nós; por isso, as deixamos para trás, à medida que seguimos em frente, na caminhada. Isso é natural! Faz parte do processo.

A consciência da Graça nos alça a outros níveis de compreensão, onde percebemos que o fato de termos deixado práticas humanas para trás não tem a ver com qualquer esforço pessoal. Faz parte apenas de um ponto mais adiante a que chegamos na caminhada. É natural que inúmeras coisas percam seu poder de atração sobre nós ante o prazer imensurável despertado pelo novo que encontramos na caminhada. Com anseios maiores, há menos tempo para práticas infantis que ficaram em pontos do trajeto já trilhados.

Nossa escolha entre amar o outro pelo que ele é ou amá-lo dependendo daquilo que ele faz varia de acordo com a trilha em que a gente está. Na trilha do Amor sabemos a hora certa de advertir quem amamos. Reconhecendo sempre o outro como pessoa e não como parte de uma coletividade homogênea. Nesse sentido, toda admoestação é individual. Pois o Amor está na dedicação exclusiva, em saber que os processos são individuais e em compreender que cuidar significa investir tempo e paciência. Oferecer um pacote de regras nada tem a ver com o Amor. É uma tentativa de otimizar tempo, reduzir esforços e gerar seres que se unem pela prática exterior. Comunhão falsa, uma vez que a unidade só existe pela realidade do coração.

Que nossa consciência seja sempre a de quem avança no Caminho. E nunca a de quem já alcançou o fim da caminhada. Que nos ocupemos em amar e em ajudar o próximo no seu trajeto pessoal. Conscientes da nossa pequenez e de que somos servos uns dos outros, prossigamos sabendo-nos medíocres alcançados pela Graça. Para que isso ocorra, é importante reconhecer que até mesmo a oportunidade de guiar o outro na caminhada é dom. Nada tem a ver com nossa capacidade, mas com a misericórdia de Deus.

Meu desejo é que quando avançarmos na caminhada, adquirirmos anseios maiores e não tivermos mais tempo para práticas antigas, que nosso tempo seja sempre dedicado ao próximo, em Amor. Se nossa esperança, em Cristo, já ultrapassa os limites deste mundo, nada mais certo que transmitir essa Paz a quem ainda não a experimenta.

Hugo Rocha
Essa reflexão também pode ser lida no blog Geração Renovada

quinta-feira, 19 de março de 2009

Observador

Conheço duas formas de olhar. A primeira consegue passar pela vida e nada ver, enquanto a outra encontra dificuldade em não perceber. Visões diferentes. Dinâmicas opostas. O primeiro tipo de olhar é displicente e apenas esbarra nas situações, vê meras ocorrências, coisas sem relevância e sem sentido. O segundo, em tudo enxerga a possibilidade de comunhão. O olhar displicente não consegue ir além. É fácil de ser encontrado e, freqüentemente, considera-se suficiente. É a antítese da outra forma de olhar, que gosta de confluências, altera-se, aceita o novo, o não-experimentado. Assim como um rio que, através das águas de seus afluentes, sabe-se mais intenso e mais renovado quando não está só.

A vida é assim: construída através do olhar. Ou não, pois olhar que não consegue ver além nada constrói. Antes, prefere esconder aquilo que possui (se é que algo possui) a arriscar-se na experiência da comunhão. É olhar que não conflui, nem flui, porque não é rio. É bem mais próximo de uma poça d'água, que resiste ao convite do movimento e evapora quando atingida pelos raios do sol. Olhar que vê, mas não observa.

Histórias nascem do movimento do olhar. Precisam de ritmo e cadência, elementos que moram na incapacidade de ser estável. Engana-se quem acha que as melhores histórias residem na capacidade de inventar. Besteira é procurá-las no mistério. Elas não estão no oculto. Sua casa é o mundo. E as portas - escancaradas – anseiam por um visitante-observador que as revele para quem não as pode (ou não as quer) perceber.

Seria injusto omitir uma verdade: tão raros são os que se aventuram na profundidade do olhar que, após experimentar a primeira história, as palavras não mais os deixam parar. Não há escolha possível a não ser lançar-se à vida, à procura de outros olhares, novas confluências, elevadas percepções. A esse grupo de pessoas, resolvi dar o nome de observadores. Sua reação natural aos estímulos da vida é observar. Não é uma opção. Nem mesmo uma profissão. É vocação. Eu sou um dos que nasceu refém dessa vocação. E, desde que descobri conscientemente o prazer de olhar, não consigo mais parar. Sou assim: alegremente rendido, submisso e entregue à minha forma de olhar. Sou um contador de histórias. Um observador. Mas, se preferir, há também quem diga que sou jornalista...

Hugo Rocha

quarta-feira, 18 de março de 2009

Devaneio

Às vezes, a gente tem vontade
de sair pelo mundo afora;
deixar a casa paterna,
os amigos e ir-se embora.

E embora, às vezes, se faça isso
também, às vezes, a gente chora;
chora a saudade da casa, dos amigos
e até da rua em que a gente mora.

A rua em que a gente mora
tem vizinhos que são chatos;
mas, tem também amigos que
nos são gratos
e os que se grudam na gente
feito carrapatos.

Há os que esgotam
a paciência da gente,
como pedras no sapato.
Mas, até os carrapatos,
as pedras e os amigos chatos,
quando a gente está longe e lembra
sente saudades e, às vezes,
até chora...
quando vai embora!...

Sidney Gonçalves
(minha "mais velha e recente amiga", no post de número 200 deste blog)

Jesus: a chave hermenêutica

"Cristo é o Mestre, as Escrituras são apenas o servo. A verdadeira prova a submeter todos os Livros é ver se eles operam a vontade de Cristo ou não. Nenhum Livro que não prega Cristo pode ser apostólico, muito embora sejam Pedro ou Paulo seu autor. E nenhum Livro que prega a Cristo pode deixar de ser apostólico, sejam seus autores Judas, Ananias, Pilatos ou Herodes" — Martinho Lutero

É mais simples que pensar. Basta olhar para Jesus. Veja como Ele tratou a vida, as pessoas, a religião, os políticos, os pobres, os ricos, os doentes, os parias, os segregados, os esquecidos, os seres proibidos, os publicanos, as meretrizes, os santarrões, e o que mais você quiser...

Nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade; e nele estão todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento. O resto é invenção de quem não quer lidar com Deus, consigo mesmo e com gente, e prefere lidar com letras.

A Deus/Verdade não existe como Explicação, mas tão somente como Encarnação. A Verdade Absoluta só pode ser vivida, não pensada. Todo pensamento acerca dela decorre da experiência; ou seja: do processo de encarnação. Assim, para enxergar a Verdade tem-se que vê-la na Única Vida na qual ela habitou cheia de Graça, e também tem-se que vivê-la. E o Verbo se fez carne...

Por isto é que posso discernir a Verdade em Jesus, mas ainda assim só posso discernir se eu mesmo a experimentar na vida. A Verdade que vejo em Jesus, Encarnada Nele — eu mesmo tenho que conhecer na minha própria vida/encarnação, que é o único estado de existência que eu tive até hoje.

Quando vejo Jesus, vejo a Verdade. Quando vivo sabendo que Ele é a Verdade, mesmo que minha existência não encarne toda a Verdade que vejo Nele, até nos meus movimentos contra ela, eu a conheço; visto que não tenho mais como não conhecê-la, mesmo que a negasse.

Foi assim com Pedro. Ele conheceu a Verdade em Jesus, e teve que experimentá-la em si mesmo. E, provavelmente, o dia no qual ele negou Jesus, tenha sido um dia, para ele, de muito mais verdade que a noite da Transfiguração.

Assim, Jesus é a chave hermenêutica para se discernir a Palavra, mas mesmo assim, eu só a conhecerei como Verdade, se eu mesmo a provar na minha carne; e isto é o que acontece quando a gente anda no Caminho; e assim é também mesmo quando a gente tropeça.

Desse modo, a Encarnação é a chave hermenêutica, mas essa chave tem que abrir antes o meu coração. E isto só acontece no encontro entre a Verdade e a Vida. Ora, tal encontro só se dá no Caminho e no caminhar...

Nele, em Quem a Palavra está explicada em gestos, modos, atitudes, palavra e espírito,

Caio Fábio
Copacabana, 23.9.2003

domingo, 15 de março de 2009

Salmo 66

Aclamem a Deus, povos de toda terra! Cantem louvores ao seu glorioso nome; louvem-no gloriosamente! Digam a Deus: “Quão temíveis são os teus feitos! Tão grande é o teu poder que os teus inimigos rastejam diante de ti! Toda a terra te adora e canta louvores a ti, canta louvores ao teu nome”.

Venham e vejam o que Deus tem feito; como são impressionantes as suas obras em favor dos homens! Ele transformou o mar em terra seca, e o povo atravessou as águas a pé, e ali nos alegramos nele. Ele governa para sempre com o seu poder, seus olhos vigiam as nações; que os rebeldes não se levantem contra ele.

Bendigam o nosso Deus, ó povos, façam ressoar o som do seu louvor; foi ele quem preservou a nossa vida impedindo que os nossos pés escorregassem. Pois tu, ó Deus, nos submeteste à prova e nos refinaste como a prata. Fizeste-nos cair numa armadilha e sobre nossas costas puseste fardos. Deixaste que os inimigos cavalgassem sobre a nossa cabeça; passamos pelo fogo e pela água, mas a um lugar de fartura nos trouxeste.

Para o teu templo virei com holocaustos e cumprirei os meus votos para contigo, votos que os meus lábios fizeram e a minha boca falou quando eu estava em dificuldade. Oferecerei a ti animais gordos em holocausto; sacrificarei carneiros, cuja fumaça subirá a ti, e também novilhos e cabritos.

Venham e ouçam, todos vocês que temem a Deus; vou contar-lhes o que ele fez por mim. A ele clamei com os lábios; com a língua o exaltei. Se eu acalentasse o pecado no coração, o Senhor não me ouviria; mas Deus me ouviu, deu atenção à oração que lhe dirigi. Louvado seja Deus, que não rejeitou a minha oração nem afastou de mim o seu amor!

terça-feira, 10 de março de 2009

Confesso que chorei

Hoje assisti “O menino do pijama listrado”, filme dirigido por Mark Herman, baseado no romance homônimo de John Boyne. Ambos foram responsáveis pelo roteiro do filme. Não vou entrar em detalhes, pois não serei capaz de não esmiuçar o conteúdo do filme. Como o indico a todos, faço questão então de não estragar a surpresa.

Em certo momento, um diálogo entre dois garotos de oito anos, um alemão e um judeu, separados por uma cerca:

- Você não pode sair por quê? O que você fez? – pergunta Bruno
- Sou judeu! – responde Shmuel


Para mim, o momento de maior emoção.

Confesso que chorei.

Hugo Rocha

Infindável mistério

Sendo eu, em mim,
vejo-me essencialmente
nele

Sendo eu, nele,
vejo-me completamente
dele

Sendo eu, dele,
vejo-me não mais eu
Mas apenas ele
Mesmo que em mim

Habito-me,
mas não me pertenço
Infindável mistério
aquilo que sou


Hugo Rocha

segunda-feira, 9 de março de 2009

Leiam

As cerca de sete pessoas (rsrs) que acompanham este blog não podem deixar de ler o texto que escrevi para o blog Geração Renovada, a convite do meu amigo Kennedy Lucas. Obrigado pela oportunidade, mano! É um prazer escrever sobre a Boa Nova. Leia aqui.

Hugo Rocha

Já cantava Maysa...

Todos acham que eu falo demais
E que ando bebendo demais

Que não largo o cigarro
E dirijo meu carro
Correndo, chegando no mesmo lugar

Se meu mundo caiu
Eu que aprenda a levantar


Ah, se eu te pudesse fazer entender
Sem teu amor eu não posso viver
Que sem nós dois o que resta sou eu
Eu, assim, tão só

E eu preciso aprender a ser só
Poder dormir sem sentir teu calor
E ver que foi só um sonho que findou

Ah, o amor, quando é demais ao findar leva a paz
Me entreguei sem pensar
Que a saudade existe e se vem é tão triste,
E vem
Meus olhos choram a falta dos teus
Esses teus olhos que foram tão meus

Por Deus, entenda que assim eu não vivo
Eu morro pensando

Que é por que meu amor por você é imenso
O meu amor por você é tão grande
É por que meu amor por você é enorme demais

Pout-porri entre as canções:
Demais (Tom Jobim / Aloysio de Oliveira)
Meu Mundo Caiu (Maysa)
Eu Preciso Aprender a Ser Só (Marcos Valle/Paulo Sergio Valle)

estou de férias...

...de convivência;
...de intensidade;
...de companhia;
...de presença;
...de emoções;
...de afeições;
...de convites;
...de gestos.

até a volta!

Hugo Rocha

sábado, 7 de março de 2009

Crueldade da religião

A Igreja Católica é uma instituição falida. Não em números e seguidores, mas em ética. Sobra moral. Mas falta Amor. Sobra religião. Falta Deus. Digo isso tomando como referência o olhar de Cristo enquanto esteve na Terra. Não falo do olhar cristão. E sim do olhar do próprio Jesus. Para os desavisados, uma coisa nada tem a ver com a outra.

Têm me assustado as palavras do arcebispo de Olinda e Recife, José Cardoso Sobrinho, após excomungar médicos responsáveis pelo aborto de uma garota de nove anos, grávida de gêmeos. A mãe e outros familiares também foram atingidos pela excomunhão. A criança teria sido abusada pelo padrasto, que não sofreu nenhuma punição da “igreja”.

Atitude covarde. Vergonhosa. Cruel.

Talvez o fato de sacerdotes católicos adotarem o celibato e, consequentemente, não terem filhos, ajude o senhor arcebispo em tamanha frieza. Mas penso mesmo é que ele é uma pessoa vencida pela sua parcela ruim. Esqueceu-se - ou nem sequer aprendeu - do exemplo de Cristo.

Não reconheço a Igreja Católica – ou qualquer outra instituição humana – como representante legal de Deus na Terra. E da Religião eu espero quase sempre barbaridade e distanciamento daquilo que Jesus ensinou.

Mesmo assim, não consigo me calar neste momento. É revoltante. Dá nojo simplesmente ver tal ser aparecer em jornais e, de forma descarada, lutar até o fim pelo que acredita – mesmo que os dogmas em questão sejam totalmente contrários ao que Cristo ensinou.

Basta ler as Escrituras. Observar. E perceber que o Cristianismo tem mais a ver com a maldade humana que com Cristo. Inveja. Competição. E muita maldade. É dessa soma que resulta o que hoje chamamos de Cristianismo – seja católico ou não.

Como já disse em outro lugar aqui neste blog, religião demais surta. E o arcebispo surtou, com apoio formal e assinado da instituição que ele representa em Olinda e Recife. Mesmo local onde abençoados médicos representaram a sensibilidade de Deus, intervindo na hora certa e salvando a criança da morte.

Agora, meu desejo é que a alma dessa menina possa reviver. Na mesma medida em que a alma dos representantes legais de um deus-imaginário e feio como a alma deles morre dia após dia.

Hugo Rocha

sexta-feira, 6 de março de 2009

Raquel

Sem rodeios. Colação de grau é algo muito chato! Aquela cerimônia extensa, cheia de falas que não te dizem nada e, o que é pior, de pessoas que fazem do ambiente um circo. Faixas. Apitos. Balões. Muitas coisas externas. Para compensar o vazio interior de quem acompanha a cerimônia.

Na noite de ontem, no entanto, uma dessas cerimônias me marcou. Ao lado do Felipe e do Rúben, primos especialmente amados, ouvi o nome “Raquel Souza Rocha” ser anunciado duas vezes em momentos de homenagem. A primeira, como destaque acadêmico da turma de formandos de História do segundo semestre de 2008, no Uni-BH. Depois, a consagração como destaque acadêmico geral, dentre os dois turnos: manhã e noite.

De repente, a cerimônia mudou. Já não mais era a mesma de alguns minutos atrás. Tudo havia mudado. Aplausos. Gritos. Sorrisos. Lágrimas. Tudo isso em meio aos braços – e abraços – dos meus dois primos. Nossa emoção era uma. Partilhada. Orgulho da irmã. E orgulho da prima.

Hoje, gratidão. E felicidade...

Além do título, agora é desfrutar da bolsa integral para já cursar uma pós-graduação!

Parabéns, Quel...

Teu presente – e não vou falar aqui em futuro promissor – já é uma realidade!

Hugo Rocha

domingo, 1 de março de 2009

Mesmo hoje

Aniversário é uma data estranha! Provavelmente, se eu pensasse por mais dois minutos, encontraria pelo menos uma dúzia de adjetivos diferentes para expressar o que acho de aniversários. Mas, no momento, “estranho” é o melhor deles. O meu – dia 24 de setembro - eu detesto. Não gosto de fazer aniversário! A data, para mim, só não consegue ser mais deprimente que o Natal e a virada de ano, exatamente nessa ordem.

Mas por que acho a data estranha? Pois é apenas nesse dia que a maioria das pessoas faz aquilo que deveria fazer todos os dias. Expressar a gratidão pela companhia e pela vida do outro, que, em nós, se fez um. Seja como parte da família. Seja como amigo. Seja o que for... Discordo veementemente dessa institucionalização do outro. Quem é especial não deve ter que esperar o aniversário para saber disso. É nosso papel fazer com que o outro se sinta especial dia após dia, na convivência.

Por isso, acho que o aniversário é o dia dos que não são tentarem provar que são. Radical? Não, não acho. É certo que há sempre exceções. Mas penso assim. O que podemos esperar daqueles que aguardam o aniversário para aparecer em nossa vida? Pouco – ou nada!

Em meu último aniversário, escrevi neste blog: “sim, hoje é meu aniversário! o que quero de presente? sinceramente, não quero nada. nem espero algo diferente neste dia. ao acordar, descobri que aquilo que tenho já basta! recebi o melhor presente logo que nasci: minha família. e, aos poucos, outros bons presentes me têm sido acrescentados: amigos, leais, fiéis e companheiros. e pouco me importa se eles se lembram desta simples data. o que mais posso querer? hoje? nada em especial. apenas aquilo que os meus presentes já me têm dado: amor e companhia. mas incondicionais, gosto de frisar. não tenho condições, trocas, barganhas a oferecer. em contrapartida, nada mais quero. apenas aquilo que já tenho. prometo não cobrar. obrigado, a todos aqueles que se reconhecem e se sabem inclusos nessas palavras.”

Uma das pessoas que não vai me decepcionar, caso não apareça em nenhum dia 24 de setembro da minha vida, é o Felipe. Dele não é necessário ouvir um simples “parabéns” para saber o bem que me deseja. Isso se faz real diariamente, através do carinho e preocupação que ele expressa por mim. Gosto de amigos assim: que fazem seus votos reais em nossa vida e permanecem ao nosso lado para nos lembrar disso todos os dias. E não se contentam em apenas desejar, para, depois, esperar mais um ano antes de re-aparecer.

Muito por acaso, hoje é aniversário do Felipe! Lembro-me do dia em que nos conhecemos. “Que garoto imbecil”, pensei. Sem saber que o idiota ali era eu. Não tinha ideia do quanto o Felipe se tornaria um daqueles amigos que não precisa dizer ser para provar que é. Que não precisa dizer desejar o bem para que eu saiba o quanto ele deseja que a vida me seja cada dia mais feliz.

O Felipe não precisa de nada para ser em minha vida. Ele é meu amigo. Isso é o bastante. E o que desejo neste dia é que nós nunca precisemos de uma data para que nossa amizade seja real. Nem de palavras. Nem de presentes. Apenas de companhia. Seja o dia que for. Mesmo que esse dia seja o aniversário de um de nós. Mesmo que esse dia seja hoje...

Hugo Rocha

. incoerentes .