quarta-feira, 27 de maio de 2009

Uma nova terra procuro

No Silêncio procuro
Busco uma resposta
Ou, talvez, o silêncio
Decisão que amedronta

Solidão se apossa de mim
Companhia me é necessária
Realidade e desejo se opõem
Embate dilacerador, cruel!

Não escolho a solidão
NUNCA farei tal escolha
Assumo: sou incapaz!
Só escolhi o Amor
como Vida e Caminho

Recuso tudo aquilo
que não posso honrar
E sou humano demais
pra escolher a solidão!

Mas...
Não quero caminhos previsíveis
Não quero aquele que já foi trilhado
Não quero seguir sem criar

Escolhi andar por um caminho novo
Abrir uma trilha ainda impensada
Ser desbravador de mim mesmo

Meu desejo é apenas um:
que essa trilha me leve a uma nova terra,
totalmente desabitada!

Hugo Rocha

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Anos de Vida

Hoje é aniversário do Wendell. Um garoto que exala juventude e pequenidade. Mesmo assim, a maturidade que ele [às vezes] decide usar muito me assombra. Sem me preocupar em fazer alguns floreios para deixar o texto maior e mais bonito, adianto o que penso do meu amigo. Se tivesse que escolher um adjetivo para defini-lo, usaria sensacional. Mas quero defini-lo em dois: surpreendente e sensacional.

Dizer que não gosto de aniversários pode parecer já desnecessário. Mas, não! Basta que eu me lembre das frequentes perguntas que me são feitas e que já foram por mim respondidas um sem-número de vezes. Para mim, é um prazer repetir as minhas ideias. Claro que quando quero, de forma repentina, espontânea. E não quando alguém me pede para (re)explicar aquilo que [não me] canso de dizer!

O parágrafo acima foi apenas para (re)explicar que o que escrevo sobre o Wendell não tem relação apenas com o hoje, dia 25 de maio. É o reflexo de cada hoje em que pude experimentar a pequenidade dele. E, com isso, chegar à conclusão: o Wendell é surpreendente e sensacional!

Dentre as definições de surpreendente, a que mais gostei é a seguinte: “algo que rouba a sua atenção, que te fascina”! Troque algo por alguém e você já sabe quem é o Wendell. Óbvio que essa é a minha percepção a respeito dele. Mas o que mais eu poderia dizer no meu blog sobre meu amigo, além da minha percepção?

Não é segredo para quem me conhece que eu gosto de trocar ideias - e também ideais. E não são poucas as pessoas com quem faço isso. Porém, nenhuma delas é como o Wendell. Ele é surpreendente. Rouba a minha atenção. De qualquer concorrência humana. Espero que ninguém se sinta menosprezado, mas poucas pessoas conseguem me provocar ao pensamento e ao crescimento pessoal quanto ele.

E por que sensacional? Esse adjetivo escolhi porque é tão extraordinária a representatividade que a amizade do Wendell tem em minha vida que fica até complicado explicar. Acho que não expliquei nada na frase anterior. Tanto faz. É extraordinário mesmo. Foge à minha capacidade de entender.

Hoje, dia em que muitos aproveitam para desejar boas coisas ao Wendell, aproveito para pedir outra coisa. Que Deus nos brinde com muitos outros anos de amizade, para que a evolução e o crescimento dele sejam sempre surpreendentes para mim. Quero mais surpresas! Em qualquer data. Em qualquer ocasião. Sem qualquer desejo tosco dito, sem compromisso, hoje...

Meus parabéns, hoje, não são pelo envelhecimento do Wendell. Eu o parabenizo por ter cultivado uma alma tão nobre e gigante, que extrapola os anos contados no tempo cronológico. Anos de Vida nada têm a ver com os anos do calendário. E a alma do Wendell sabe disso muito bem...

Hugo Rocha

sábado, 23 de maio de 2009

Enquanto fujo... um desabafo!

Não acho que o crescimento do número de blogs cristãos [definitivamente, eu não gosto dessa palavra] seja algo a ser comemorado. Nem quando vem recheado de textos e artigos com fortes críticas ao cristianismo institucional – seja ele católico, protestante, evangélico, ou qualquer outro termo que queiram usar.

Cristo não tecia críticas por si mesmas. Para ele, as críticas nunca foram o fim, mas o meio. Meio que ele usou para divulgar o Caminho. Sempre, após a crítica, é necessário que venha uma proposta. Alternativa! Um novo trajeto a trilhar...

Eu não gosto de blogs cristãos. Gosto de blogs de alguns cristãos [apesar de preferir chamá-los apenas de gente]. Não vou listar quais, pois acho que isso é desnecessário. Gosto daqueles em que Cristo se faz presente em Vida. Quando isso acontece, pouco importa o tema. Vivendo Cristo em quem escreve, torna-se desnecessário o uso de termos tidos como cristãos.

Para o Rubem, falar muito de Deus evidencia a falta que Ele faz. É simples como o ar: só falamos nele quando ele nos falta. “Estou com falta de ar”. Não vemos alguém dizer “estou respirando o ar”.

O Amor e a Graça de Deus tornaram-se tema para inúmeros blogs. Mas, em grande parte dos casos, ainda é necessário que sejam incorporados como tema de Vida. Sobra Letra. Falta Vida. Falar do Amor é fácil. Bem mais complicado é vivê-lo. Falar de Cristo é cômodo. Incômodo é ter que ser Cristo, 24 horas, na vida do outro.

Enquanto fujo das teologizações do Amor, tento aprender amar...

Tento ser mais parecido com Cristo.

E, assim, ser cada vez menos cristão!

Hugo Rocha

Selo: Grandes pensadores da blogosfera

O segundo é o Grandes pensadores da blogosfera. Nome que por si só já me constrange. Sem falsa modéstia, não acho que me encaixe na amplitude que o selo abarca. E a indicação, só por vir do Will, já me deixou muitíssimo feliz. É uma honra indescritível ser lembrado por ele, cujos textos me inspiram. Quem ainda não conhece, pode lê-lo – sem contra-indicações - no Celebrai!


Muitíssimo honrado e agradecido com a lembrança, Will! Não tenho nem como expressar a gratidão.

Hugo Rocha

Selo: Carpe Diem

O primeiro é o Carpe Diem, que recebi do Daniel Oliveira, do blog O Fastígio. Vale a pena vocês darem uma passada por lá. Não por ter ele me indicado. Realmente gostei daquilo que li.


Mas o que significa colher o dia? Pediram-me que respondesse e aí está:

“Colher o dia é entender que essa coletividade a que dão o nome de “vida” só existe e tem sentido se cada dia for vivido de forma intensa, como se fosse o último. Colher o dia só é possível quando entendemos que a “vida” é um sonho e o “dia” é uma realidade. A “vida” é uma expectativa, o dia é aquilo que realmente se oferece a cada um de nós, apenas hoje!”

Muitíssimo obrigado pela indicação, Daniel!

Hugo Rocha

Agradecimento

Esta semana fui surpreendido com a indicação do contradição™ para receber dois selos. Uma veio de uma pessoa que, até então, eu desconhecia. A outra de um mano muito querido. Confesso que fiquei feliz. Não por receber os selos, mas por descobrir que há quem goste daquilo que eu escrevo.

Uma das minhas marcas – e que grande parte das pessoas que convivem comigo experimenta – é a sinceridade. E sei que há um espaço muito curto entre sinceridade e maldade. Enquanto a primeira fala normalmente é feita para somar, a segunda serve apenas para machucar. Como minha mãe bem diz, ser sincero, às vezes, é ficar calado.

Fiquei em dúvida entre expor ou não que não gosto dessa criação: os selos. Não queria que parecesse ingratidão. Afinal, pessoas que tiveram que limitar suas escolhas me indicaram. E não houve outra reação em mim que não fosse me sentir absolutamente honrado. Muito mesmo! Porém, a explicação fez-se necessária para que saibam a razão por que não vou repassar a indicação dos selos.

Espero que entendam da melhor forma. O que me motivou aqui foi apenas a gratidão. Do contrário, eu ignoraria as indicações ou repassaria – o que não seria honesto da minha parte. O Everaldo escreveu um texto que explica um pouco daquilo que penso. Quem quiser, pode lê-lo aqui.


Explicação feita, vamos aos selos – nos próximos posts: Carpe Diem e Grandes pensadores da blogosfera.

Hugo Rocha

terça-feira, 19 de maio de 2009

Tocado pela Beleza

domingo de manhã! amigos, uma reunião, várias palavras...

o mais importante: uma criança, a pureza... e uma ação!

naquele breve momento, que fugiu às armadilhas do tempo, a Vida valeu a pena!

#simplesassim

em breve, talvez..., detalhes.

Hugo Rocha

quarta-feira, 13 de maio de 2009

[olhar as estrelas...]

Pensei diversas vezes em como escrever esse texto, e em até 'por que' escrevê-lo, e no tempo em que passei sem postar, iniciei-o diversas vezes, e todas foram gradativamente descartadas.

Hoje resolvi escrevê-lo para os meus amigos, os realmente de longe e até os momentaneamente distantes (somente fisicamente) e para aqueles que ainda não viram as estrelas e não 'enxergaram' além delas...

As pessoas olham as estrelas pelos motivos mais diversos (alguns até engraçados), mas eu aprendi com um amigo a olhá-las como uma forma de vencer distâncias...

Antes de aprender isso, percebi que dificilmente olhava as estrelas e quando olhava, não as via de verdade. Aprendi que se soubermos exatamente para onde olhar e como olhar e partilharmos isso com alguém, não existe distância que permaneça diante de nós. Ela se disfaz como num 'passe de magia'.

Mas pra que essa magia ocorra, é preciso abandonar o ativismo por alguns instantes. É preciso confiança e crença, nas pessoas e em si mesmo. É preciso se despir do olhar crítico e cético que muitas vezes envergamos durante todo o dia. Confiar em quem partilha da sua amizade. Acreditar que a outra pessoa, assim como você, vai parar, nem que seja por alguns segundos, para ver as estrelas de verdade e deixar que elas nos abram os caminhos que desmancham os 'quilômetros', e que fazem dos 'metros' meros 'centímetros'.

Certo dia voltando da faculdade, eu caminhava sem muita pressa, e então olhei pro céu e senti alguém olhando para mim. Inicialmente tive aquele senso de autopreservação, olhando para todos os lados, procurando alguém nas ruas (um ladrão talvez), mas estava tudo tão deserto e silencioso que poderia até mesmo amedrontar. Depois de mais uma observação rápida do local, e ainda com a sensação de estar sendo observado, olhei novamente para o céu. Tudo que pude fazer foi sorrir. Continue caminhando com um único pensamento: "Acho que alguém lá em cima 'descobriu' meu joguinho de olhar as estrelas para quebrar distanciamentos..."

Esse foi um (re)convite de confiança, de amizade que eu havia deixado um pouco de lado com meu ativismo, olhando para cima, vendo as estrelas de verdade, mas esquecendo de tentar enxergar além delas... para Ele...

Resolvi escrever esse texto acima de tudo porque percebi que esse convite para enxergar além não foi só pra mim...

Olhe... mas não só olhe, veja! Veja, e se não conseguir enxergar além, não desista de primeira, tem alguém pronto pra te ensinar...

Abraço para todos e um lindo dia!

Andy
Texto escrito pelo meu irmão em seu blog kEbranDo a rOtiNa. Como ele se divide entre Goiânia e Brasília, as estrelas são uma ótima forma que usamos para nos encontrar!

segunda-feira, 11 de maio de 2009

(des)conhecimento

Já cansei de responder à mesma pergunta. E, uma vez mais, eu repito: nada, não quero nada! Por que insistem tanto em me questionar? Garanto que não exijo nada, não peço nada, não espero nada... Deixem-me apenas aqui... onde e como estou!

Alerto a todos que parem! Pode ser que, por causa de tanta insistência, eu comece a querer... Meu coração pode começar a se arriscar na ambiência dos desejos. E...

posso desejar que não me peçam mais nada, mesmo que seja preciso não me concederem nada também...

posso desejar que não me cobrem presença, mesmo que a ausência recíproca passe a ser regra e não mero acontecimento companheiro do tempo...

posso desejar que não esperem de mim o bem; para que, quando ele surja, seja como dádiva, surpresa, e não um atributo esperado...

posso desejar que todos me esqueçam, mesmo que eu não consiga esquecer... e saiba que a dor da saudade irá sempre me visitar...

posso desejar que não insistam na mesma pergunta. Se ainda não respondi, na certa é por que não encontrei resposta... E há respostas na Vida que não quero encontrar! A ignorância começa a se apresentar a mim como virtude!

De respostas, admito, estou cansado! A partir de agora, o (des)conhecimento torna-se um dom com o qual pretendo minha alma brindar. E se, para isso, for preciso o silêncio, prometo que minha voz daqui para a frente pouco se ouvirá.

Quando eu desejar que todos se calem, tenham certeza que em troca oferecerei o meu silêncio eterno...

Hugo Rocha

Arvoreando

Uma das coisas que eu acho fascinante em Jesus é a capacidade que Ele tinha de encontrar, no meio da multidão, as pessoas. Quando Ele era capaz de reconhecer, em cima de uma árvore, um homem e descobrir nele um amigo. É bonita uma amizade que nasce a partir da precariedade. Quando você chega desprevenido, o outro viu o que você tem de pior, mesmo assim ele se apaixonou por você. Amor concreto, cotidiano, diário.

Jesus se apaixonava assim pelas pessoas e as tornava suas amigas. Trazia pra perto dEle. É fascinante olhar para a capacidade que esse homem, que esse Deus tem de investigar a miséria do outro e encontrar a pedra preciosa que está escondida. Isso é Páscoa. Isso é ressurreição. Quando no sepulcro do nosso coração alguém descobre um fio de vida e, ao puxar esse fio de vida, faz com que a gente se torne melhor. Não há nada mais bonito do que você ser achado quando está perdido. Não há nada mais bonito do que você ser encontrado no momento em que você não sabe pra onde ir, e nem onde está.

O amor humano tem a capacidade de ser Amor de Deus na nossa vida por causa disso. Porque ele nos elege. Por isso que é bom a gente ter amigos. Porque, na verdade, as pessoas amigas antecipam no tempo aquilo que nós acreditamos ser eterno. Quando elas são capazes de olhar pra nós e descobrir o que temos de bonito, mas que, às vezes, costuma ficar escondido por trás daquilo que é precário.

Por isso que eu agradeço muito a Deus pelos amigos que eu tenho. Pelas pessoas que descobriram o que eu tenho de pior, uma coisinha que eu tenho de bom, e mesmo assim continuam do meu lado. Me ajudando a ser gente. Me ajudando a ser mais de Deus. Ajudando a buscar dentro de mim a essência boa que a gente acredita que Deus esqueceu em cada um de nós.

Ter amigos, como dizia o meu amigo gaúcho Maninho, é como arvorear. Lançar galhos. Lançar raízes. Pra que o outro, quando olhe a árvore, saiba que nós estamos ali. Que nós permanecemos para fazer sombra. Para trazer ao outro um pouco de aconchego que, às vezes, ele precisa na vida. Arvoreie. Crie árvores. Seja amigo.

Fábio de Melo
mensagem transcrita da faixa “Arvoreando” do DVD “Eu e o tempo”

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Laços*

Falar do Amor é como falar de Deus
O que se fala apenas são ideias
Partes, fragmentos, visões
Daquilo que não se pode ver

Estranho é falar do Amor
Teorizar o que não é teoria
Sentimento louco, estranho
Não aceita limites
Nem gosta de definições

Vãs são as tentativas de entendê-lo
Ele não suporta as grades e prisões
Correntes não o podem deter
São a antítese do que Ele é

O Amor foge às gaiolas
Se detido, sai pelas frestas
Pavoroso e inconcebível
É pensar no Amor preso
Livre Ele é, como o Vento

Aparece quando e como quer
E para quem deseja
Surpreende ao unir almas
Sem planos, sem determinações
Apenas por que quer

E apesar de não gostar das palavras
Belas são as que Ele faz brotar
Através de nós

E não gostando de gaiolas
Mesmo assim o Amor nos prende
Mas sem correntes
O Amor prefere laços
Tecidos com cumplicidade
E pela nossa inconsciente decisão

Hugo Rocha

*Poema publicado em 30 de outubro de 2007

Isso basta!

E o Verbo se fez Carne!

#issobasta!

#nessaVerdadeseresumeaminhaVida!

Hugo Rocha

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Frágeis pensamentos sobre a verdade

O pensamento precisa de espaço para pensar. Para cogitar, faz bem desembaraçar-se de censuras. Transpor valados não significa cortejar desastre. Existe vida além do horizonte. Lá, onde vivem os delinquentes também há amor. Aliás, cria melhor quem ousa visitar a trincheira dos hereges.

Quem pensa não inventa a verdade; a verdade constrói o pensador. Newton não imaginou a lei da gravidade, foi a gravidade que transformou os seus olhos. Depois que uma maçã despencou, Newton perguntou: Por que ela cai e não flutua? Dessa pergunta a humanidade descobriu a verdade que os corpos se atraem na razão direta das massas e inversamente ao quadrado da distância que os separa. A verdade já existia, mas precisava de uma mente pronta para acolhê-la.

Além da verdade empírica permanecem a estética, a mística e a ética.

Michelângelo sentiu a dor de Maria e foi capaz de expressá-la em um bloco de mármore, a Pietá; Picasso horrorizou-se com a guerra e Guernica se eternizou. Beethoven, Bach, Mozart e outros virtuoses ouviram melodias, escreveram partituras, e as orquestras passaram a encantar o mundo.

São João da Cruz, Mestre Eckhart, Teresa de Ávila e muitos místicos intuiram verdades que os Catecismos, as Confissões de Fé e as Dogmáticas não abarcaram. Repetiram que a verdade descansa no mistério, no absurdo, onde a razão não chega.

Ghandi, Martin Luther King, Madre Teresa de Calcutá, Jimmy Carter encarnaram a máxima cristã de que a vida eterna pertence a quem se curva para ajudar o caído. Os juízes e os magistrados são profetas que pelejam pelo que é justo e correto.

A verdade, porém, é maior que a capacidade humana de concebê-la. O saber de todas as bibliotecas mal arranha a superfície da complexa mecânica do universo. A beleza de todos os museus guarda meros fragmentos da criatividade do coração de homens e de mulheres. A percepção de todos os santos é incapaz de discernir o imponderável do mundo espiritual. Toda a bondade já encarnada não exaure a nobreza que ainda pode ser vivenciada no mundo.

A verdade depende da graça para não correr o perigo de ser instrumento de morte; carece de conectar-se com a vida para não ficar confinada a uma torre de marfim; precisa ser humilde para não gerar arrogância.

Toda a verdade pertence a Deus.

Soli Deo Gloria.

terça-feira, 5 de maio de 2009

domingo, 3 de maio de 2009

Horizonte de maio

Desisti de lutar contra a minha tristeza. Conscientizei-me que ela faz parte de mim. Os resultados, caso eu resolva eliminá-la, podem ser devastadores. Equivalentes aos efeitos que resultem do corte de qualquer outra parte de mim. Sim, a tristeza é parte fundamental do meu ser. E talvez seja a maior e a mais importante das partes que me compõem. Sou uma pessoa essencialmente triste. Palavras que neguem isso não vão adiantar. Seriam vãs, um mero discurso sem efeito prático. Logo após qualquer afirmação positiva, eu provaria o inverso na prática. Sou triste!

Não sei dizer se gosto de ser assim. Ou se apenas já me acostumei. O fato é que, mesmo se pudesse, eu não mudaria isso em mim. Talvez por medo. Receio de tentar uma vez mais. Errar de novo.

Acho que nunca conseguiria viver sendo feliz. Reaprender a viver nessa altura da vida exige coragem. E vontade. Atributos que admito não mais ter. Perderam-se no meu passado. Não, para tal façanha eu não tenho coragem. Prefiro continuar assim. Filho da tristeza. Não tenho pique para um recomeço hoje! Talvez amanhã... É, talvez...

A você, feliz, só peço uma coisa! Antes de acusar-me, confrontar-me, revoltar-se com a minha declaração, disponha-se a dividir comigo um pouco da felicidade que tens nesta vida. Compartilhar uma pequena dose dessa alegria que te visita é combustível suficiente para que eu vença mais uma triste jornada que se deslumbra no meu nublado horizonte de maio!

Hugo Rocha

Nota: após postar o texto acima, retomei a leitura de As confissões de Frei Abóbora, livro de José Mauro de Vasconcelos. Logo no início, deparei-me com algo que complementa, de certa forma, aquilo que escrevi. Publiquei o trecho no blog Livros só mudam pessoas e quem quiser pode lê-lo aqui.

. incoerentes .