sábado, 26 de junho de 2010

Minha espiritualidade

Faz tempo que tenho reivindicado o direito de viver uma espiritualidade nova! Nova no sentido de transitar por percursos ainda inexplorados, indefinidos. Essa exigência não é mero capricho ou fruto de revolta. É apenas um caminho natural que minha alma procura!

Não posso me dar por satisfeito com aquilo que até hoje foi proposto. Nada me satisfaz. Como ser cristão dentro das propostas (quase sempre impostas) feitas pelo Cristianismo ao longo dos séculos?

Meu coração não aceita nenhum rótulo. Ele já tentou ser evangélico, mas não teve sucesso. Tentar ser católico foi um caminho vão. Quando pensou ser ateu, descobriu-se incoerente. Não gosto e não almejo por rótulos. Não tenho vergonha de crer (nem mesmo de descrer). Seguir aquilo que muitos seguem também não me atrai. Sou – e sempre serei – diferente!

Há muito que minha exigência é apenas a de ser! Sim, quero ser apenas eu, essencialmente separado daquilo que até então existe. Separado, mas não inimigo. Para muitos, a diferença significa rivalidade, competição. Engano! Não tenho paciência para tal caminho. Não sei mais me enveredar pela trilha das discussões. Inevitável sairmos da maioria delas um pouco mais vazios. Palavras vãs, tolas... A certeza de que pérolas foram lançadas aos porcos.

Não é isso o que tenho buscado. Minha única vontade é ter a liberdade de cultuar Àquele em quem acredito (notem bem: acredito; não tenho certezas. Escolhi acreditar, uma escolha. Arriscada, mas minha.) onde estiver. Onde, quando, como e com quem estiver.

Quero estar em comunhão com aqueles com quem me encontro na caminhada. Nas ruas, nos bares, nas praças, nos morros, nas vilas... Quero me repartir com os marginalizados, com os impuros, com os não castos, com os bêbados, com os drogados, com os putos! E quero deles também receber.

Reconheço que ainda preciso mudar! Necessito ser transformado, todos os dias, para ficar um pouquinho menos distante da pessoa que eu deveria (e gostaria de) ser. Mesmo que eu saiba que nunca chegarei a ser...

Preciso que as pessoas me ajudem! Mas a liberdade de me confrontar só entrego àqueles que seguem comigo. A seleção não obedece a critérios e aspectos morais. Muito menos a padrões de condutas exteriores. Normalmente, meu coração se descobre irmão dos piores. E é a esses, a quem o mundo aponta o dedo em sinal de acusação, que me entrego. Na esperança de que me ajudem na construção da minha espiritualidade!

Hugo Rocha

2 comentários:

André disse...

Belíssimo texto! Você conseguiu expressar muito bem com as palavras o sentimento que muitas vezes habita no coração daqueles que ainda procuram o seu lugar...
Entre os quais me incluo...

;D

saudade de você!

Alysson Tato disse...

Excelente.
Acho que estou vivendo isso, está difícil, medo os ventos fortes..

Não posso me dar por satisfeito com aquilo que até hoje foi proposto. Nada me satisfaz. Como ser cristão dentro das propostas (quase sempre impostas) feitas pelo Cristianismo ao longo dos séculos?

"Meu coração não aceita nenhum rótulo. Ele já tentou ser evangélico, mas não teve sucesso. Tentar ser católico foi um caminho vão. Quando pensou ser ateu, descobriu-se incoerente. Não gosto e não almejo por rótulos. Não tenho vergonha de crer (nem mesmo de descrer). Seguir aquilo que muitos seguem também não me atrai. Sou – e sempre serei – diferente!"