segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Sobre sucessos e vitórias

Confesso meu extremo cansaço deste mundo de culto aos primeiros lugares. Certo é, para mim e para quem me acompanha na jornada da vida, que não pertenço a tal mundo. Não sei exatamente de onde sou; sei apenas que não faço parte disso. Resisto a essa lógica, que considero extremamente horrenda e feia.


Já reconheci: não nasci para o sucesso – pelo menos, para o sucesso como visto pela lógica social vigente. Meu desatino já foi escrito – não só no papel, mas principalmente no coração. Definitivamente, eu não nasci para ocupar os primeiros lugares. Não neste mundo fútil e vão. Decidi, há algum tempo, largar tal busca ridícula, para me dedicar a ocupar outros lugares de sucesso: os corações.


Aos que querem me orientar, advirto: minha prioridade jamais será passar em vestibulares, em concursos ou coisas do gênero. Não preciso de notas, aprovações e crescimento técnico para saber quem sou. Há muito tempo que a minha identidade está alicerçada em terrenos superiores. Meu mundo não é esse. Eu vivo em corações.


Por isso, para mim, pessoas de sucesso jamais serão aquelas que alcançam tais feitos humanamente louváveis. Não que sejam coisas ridículas e sem importância. É claro que têm seu lugar. Mas, a meu ver, um lugarzinho lá embaixo na lista. Eu não sou aquilo que números e dados dizem que sou. Eu sou aquilo que o Amor diz que sou, através dos sorrisos, dos braços e dos abraços daqueles que me cercam e partilham da minha vida – feliz e, ao mesmo tempo, também triste!


Hoje, meu coração se alegra ao contemplar o privilégio que tenho: estou cercado de pessoas bem-sucedidas. Mas não são doutores, mestres, políticos, personalidades etc. São bem mais que isso. A palavra que os descreve significa muito: AMIGOS. Pessoas que, dia após dia, têm aprendido o valor do intocável, do invisível... Seres que compreenderam que o lugar em que a vida mais se desenvolve é o coração.


Às vezes, meus amigos são injustiçados. Por atitudes não pensadas, pela minha impulsividade extremamente destrutiva, pela minha incompreensão que machuca. Enfim, na lista dos meus defeitos um et cetera cai muitíssimo bem. E o Victor (ou Vicko, para os íntimos) é um dos amigos que bem sabe disso. Há alguns dias eu escrevi, em uma mensagem de texto enviada pelo celular, que o sucesso dele está em quem ele é – e não naquilo que ele possui ou faz.


Por algumas circunstâncias chatas, decidi reafirmar tal verdade! Só quem tem o privilégio de conhecer esse meu amigo sabe o quão bem-sucedido ele é. Em um mundo de tantas relações rasas e vazias,de tantos encontros que terminam em desencontros, o Vicko consegue superar o tempo cronológico e instalar-se na eternidade – onde o tempo é irrelevante. Em várias situações em que eu ofereci os ingredientes para o desencontro, ele conseguiu transformar a situação e me oferecer mais encontros.


E eu, humildemente, e envergonhado por não poder fazer mais que isso, agradeço ao meu amigo que me ensina que o maior sucesso da vida é amar. Mesmo quando não se tem a certeza do que virá em troca... E o Vicko fez, faz e, tenho certeza, sempre fará isso. Pois alcançou uma posição de sucesso que muitos – infelizmente - morrerão sem alcançar: o lugar de alguém que aprendeu aquilo que um outro Alguém já recomendou: “ame ao seu próximo como a ti mesmo!” Esse é o caminho da Vida. Quero segui-lo ao lado do meu amigo. Cuja vitória, eu garanto, não reside apenas no nome...


Hugo Rocha

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Sempre adiante

Seu ano novo começara antes – ainda no ano anterior: 2009. Mais exatamente no dia 29 de dezembro. Sim, tudo começara com um presente que recebera de um amigo, um dos poucos amigos indefiníveis que ele possuía. O presente em questão era um texto. Ao lê-lo, um novo tempo começara: ano novo, vida nova... Ele passara, então, a meditar no poder que a opinião de um outro tinha sobre si.


Saiu de casa, rumo aos encontros que o esperavam antes, durante e após o reveillon, comemoração que marca o início oficial do novo ano. Mas o dele já havia começado. Iria apenas cumprir os protocolos sociais. Seu 2010 já estava em trânsito, mesmo que ele não comentasse. Quem entenderia? Talvez aquele que dera início a tudo, com as palavras escritas em um texto.


Quando chegou ao seu destino físico, a esperança era aquilo que o movia. Esperança que logo o deixaria. Ele ainda não sabia que não chegaria aos destinos que o motivavam: encontros. Não demorou muito para que o primeiro encontro se revelasse em um dos maiores desencontros já tidos na vida. A esperança era toda, agora, para o segundo encontro.


Mas o que houve foi um segundo desencontro. Não houve encontro. Definitivamente, a esperança o abandonara. A saudade o visitava de uma maneira avassaladora. Saudade dos encontros naturais e espontâneos que o visitaram durante o ano que se fora. 2009 chegara ao fim, mas tais encontros permaneciam, habitantes da eternidade.


O desejo do seu coração se depositara, agora, em tais encontros. Ele precisava voltar. Sua alma ansiava por encontros. Lá, naquele lugar, não havia mais espaço na alma para o desejo. A esperança o deixara. Mas... surpresas sempre o visitavam. E, mesmo que ele não as esperasse, não seria agora que elas deixariam de chegar...


E o impacto foi grande. O novo ano havia trazido novas de-cisões... Ele se lembrara das palavras escritas naquele texto: “Nem espero que Deus conserve a nossa amizade, nem os meus sentimentos, nem a minha concepção. Eu espero, profundamente e euforicamente, que Deus TE conserve. Conserve a Pessoa que você é, pois estou certo que apenas isso importa para que sejamos amigos até a morte. Pois você é capaz de sempre tocar o barco.”


Sim, ele era grato por aquelas palavras. Quem as escrevera talvez nem soubesse o impacto que elas lhe haviam causado. Ignorava que elas o haviam o colocado de pé. Provavelmente tal pessoa nem mais se lembrasse com exatidão a profundidade do que escrevera. Mas ele, sim, sabia. Mais que saber, ele sentia... E como sentia... Grato, por ter apostado em alguém que se revelara infinitamente mais capaz e melhor do que ele havia esperado. Ele sabia da capacidade humana de tal ser, mas não esperava uma evolução tão rápida... Lembrou-se que o Amor (ou Deus) flui sempre de fontes inesperadas.


As surpresas não parariam por aí. A volta aos cenários primordiais de sua vida lhe lembraria, uma vez mais, que as coisas acontecem quanto têm que acontecer, e não quando a gente quer! Era hora de aprender a lidar com isso... Estaria ele pronto?


Uma outra história. Dessa vez, recheada de encontros. Era hora de continuar tocando o barco, sempre adiante...


Hugo Rocha

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Que Deus me conserve assim!

Hoje meu dia amanheceu cinza. Minha alma está de luto. Lágrimas escorrem pelo meu rosto e revelam a tristeza que habita meu coração. A tragédia que visitou o Haiti nessa terça-feira também fez morada em mim.

Por que tal desastre atingiu justamente o país mais pobre das Américas? A essa altura, provavelmente vários religiosos – tolos – já teceram suas ridículas explicações, remetendo a tragédia aos desígnios – ocultos – de Deus. Prefiro ignorá-los. Cansei-me de lê-los. Sinto uma mistura de pena e asco de tais pessoas, que não conseguem compreender um Deus de Graça e de Amor.

Como eu poderia ver cenas de mães desesperadas por terem perdido filhos e remeter isso a um Deus a quem chamo de Amor? Definitivamente, tal explicação não se encaixa em minha fé. Um país que foi assolado durante anos pela guerra civil, uma população que sofre com a miséria extrema... Agora, recebem a visita de uma tragédia natural.

O terremoto não mexeu apenas a terra, mas balançou o meu coração... É a primeira grande tragédia de 2010. Provavelmente muitas outras ainda virão. Não sou pessimista, apenas realista. É fato que mais desastres acontecerão. Muitas outras tristezas hão de visitar o mundo neste novo ano. Certamente, a maioria delas encontrará morada em meu coração.

Aos anestesiados, que preferem ignorar a vida ao redor e que me acusam de pessimismo, ignoro. Deixo-os entregues à sua própria ignorância, que já os castiga, mesmo que tais não percebam.

Quanto a mim, peço que Deus prepare o meu coração para sentir as demais dores que atingirão o meu próximo – mesmo que esse esteja distante – em 2010. Não pretendo ignorar jamais a dor que fere o outro. Se isso é ser pessimista, faço apenas uma oração:

Que o Amor me conserve assim!

Hugo Rocha

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Superliga na TV aberta

Uma ótima notícia aos amantes do vôlei: a partir do próximo dia 20, após seis temporadas, a TV Bandeirantes volta a transmitir o maior torneio nacional do esporte: a Superliga. A última edição transmitida pela Band foi a de 2002/2003. Até o momento, está definida a transmissão de uma partida por semana. Outras informações não foram passadas, nem pela CBV nem pela emissora.


Mesmo considerando pouco a transmissão de uma partida por semana, fiquei feliz com a notícia. É bom ver o interesse de um tradicional grupo de comunicação do país em levar o vôlei de volta à TV aberta. Necessidade mais que urgente. É cansativo e triste ver que os programas esportivos, em sua esmagadora maioria, só tratam do futebol.


O desempenho das seleções nacionais, masculina e feminina, e o crescimento do público nas partidas da Superliga nos últimos anos justificam esse interesse da Band. O vôlei merece destaque e espaço na TV aberta. O público brasileiro tem o direito de conhecer de perto a base de todo o trabalho realizado pelas seleções nacionais.


As equipes estão estruturadas. A Superliga está cada vez mais forte. É hora de reforçar também a cobertura e dar ao vôlei a posição que ele merece na cobertura jornalística. Resta torcer para que as transmissões alcancem bons índices e criem o desejo de investimentos e cobertura maiores por parte dos empresários.


Sensacional será o dia em que a cobertura jornalística acompanhar o crescimento técnico observado pelos freqüentadores das quadras que recebem as partidas da Superliga.


Hugo Rocha

. incoerentes .