sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

E em 2011?


Em 2009, previ que em 2010 as pessoas se afastariam um pouco mais do Criador. E em 2010, então, tentei ficar mais próximo dEle…

Em 2009, previ que em 2010 os laços familiares ficariam mais tênues, frágeis... Em 2010, com isso, fiquei mais próximo dos meus pais, irmãs, tias, tios, primas, primos...

Em 2009, previ que em 2010 as pessoas buscariam cada vez mais relacionamentos frágeis, passageiros, líquidos. Então, em 2010, eu trabalhei para fortalecer os meus laços de amizade...

Em 2009, previ que em 2010 as doenças afetariam o mundo com mais crueldade. E, em 2010, senti isso na pele. Sofri a dor em minha família. Sofri a minha dor.

Em 2009, afirmei que em 2010 eu carregaria menos esperança que nos anos anteriores. E realmente foi assim...

Em 2009, prometi que em 2010 eu continuaria a crer que o Amor é o Caminho para a transformação deste mundo... E nessa verdade não deixei de crer...

Em 2009, disse que em 2010 continuaria amando os que me cercam... Lembrei que amor não é promessa que se faz para o futuro, mas decisão que se toma no “hoje”. E por meio dessa certeza conduzi meus passos.

Em 2010, fui família. Em 2010, fui dor. Em 2010, fui nEle. E apenas por meio dEle cheguei até aqui, no limiar entre 2010 e 2011.

E em 2011?

Sei lá o que será de mim em 2011. Não tenho nenhum medo de dizer que começo o ano sem nenhum plano ou projeto. E, o que pode ser ainda pior (ou melhor), sem qualquer expectativa...

É isso: não espero nada de 2011. Só sei que vai chover de novo. Deu na tv...

Mentira! Na verdade, tenho um único anseio: que o Eterno me acolha, cada vez mais, em Seus braços e que meu caminhar me leve sempre para mais perto dEle.

(Mentira de novo! Tenho outra vontade, confesso, mas essa me acompanha já há algum tempo: que todos aprendam a hora correta de empregar os verbos no infinitivo e a usar os sentimentos no singular! Mas isso foge à proposta do presente texto...)

Desejos de feliz 2011? Não, obrigado!

Desejem-me apenas aquilo que lhes desejo: vida, muita vida, muitíssima vida!

Até o ano que vem (quem sabe...)

Hugo Rocha
Escrito às 19h16 do dia 31 de dezembro de 2010

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

“Hoje” é Natal

Então, é Natal…

...“porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz.” (Isaías 9.6, NVI)

E desse porquê muita gente se esqueceu. E o Menino que veio anunciar a paz viu a sua voz ser abafada pelo som da explosão dos sentimentos. Amor, união e paz... apenas nos últimos dias do ano. Logo, a voz do Menino será abafada não pelo som dos sentimentos exacerbados, mas pelos gritos de ódio e pelo silêncio dubiamente barulhento da indiferença.

Então, é Natal...

...e a boa notícia é “que Deus em Cristo estava reconciliando consigo o mundo, não levando em conta os pecados dos homens, e nos confiou a mensagem da reconciliação.” (II Coríntios 5.19, NVI)

E essa boa nova quase ninguém mais conta. Quase ninguém vive. O que se ouve é a confusão de vozes geradas pelos desejos vazios de “feliz natal”. Em meio aos abraços e beijos fervorosos. Daqui a um ano, é hora de fazer isso de novo. Enquanto isso, a gente vai tocando a vida. Teremos tempo de descansar até termos que amar de novo. Que alívio!

Então, é Natal...

E a beleza dos fogos de artifício atrai nosso olhar para o céu. Esquecemo-nos de olhar para o chão, onde alguém que está caído precisa da nossa ajuda para se levantar.

Então, é Natal...

E o barulho dos mesmos fogos silencia a dor da mãe que vê o filho entregar-se, dia após dia, às drogas. Esconde o choro daquele que encara a morte, a dor e o sofrimento de perto.

Então, é Natal...

E a comida farta nos ajuda a esquecer daqueles que, não só no Natal, mas em todos os dias do ano não têm o que comer. Vamos fazer um almoço de Natal para os pobres. Todos têm direito a uma refeição por (cada 365) dia(s). Com cacofonia intencional...

Então, é Natal...

É hora de comprar brinquedos de R$ 1,99 para as crianças. Isso se os carrinhos sem rodinha e as bonecas sem perna já estiverem no lixo. Às vezes a gente se esquece de guardar até o momento certo de doar.

Então, é Natal...

E, a despeito de tudo isso, uma verdade permanece: Deus em Cristo reconciliou consigo a humanidade. 

Então, é Natal...

O dia adequado para propagar a mensagem da reconciliação! Assim como todos os dias que possamos chamar de “hoje”.

Hugo Rocha

. incoerentes .