quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Sobre praças, memórias e cicatrizes

Belo Horizonte não tem mar. É conhecida como a capital nacional dos bares e botecos. Para mim, é a cidade das praças. E cada uma, à sua maneira, faz parte da minha vida. Quem me conhece sabe que minha vida e minhas histórias estão sempre relacionadas a pessoas e lugares. Dentre esses lugares, as praças da capital mineira ocupam lugar de destaque. E suas histórias, quase sempre, vêm acompanhadas de momentos vividos ao lado de grandes amigos.

Uma das mais famosas é a Praça da Liberdade. Lá, além de ter conhecido alguns dos meus melhores amigos, já vivi inúmeros momentos inesquecíveis. As idas com meus pais e irmãs para ver a iluminação de Natal, mesmo que eu seja contrário à decoração, ocupam grande espaço no meu coração. Lá também passei, sozinho, uma noite de Natal. Tenho um banco e uma árvore específicos. Mas a maior lembrança traz junto uma mistura entre Yakult, Danoninho e uma das melhores companhias que já experimentei na vida. A Praça da Liberdade me lembra que tudo passa...

A Praça da Savassi ficou marcada como ponto de encontro semanal da melhor turma de amigos que já conheci. A cada sexta-feira, momentos e histórias diferentes. Encontros que deixaram marcas que não se desfazem, mesmo com o tempo. Lugar de crescimento e descobertas. Lugar que marcou uma das minhas maiores amizades: all star e milk-shake de morango.

Na Praça Sete, encontros normalmente inesperados, mas também os marcados. Impossível passar por lá sem me lembrar de Carnavália, música de Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown, quando se reuniram no projeto Tribalistas. Mas a pessoa que mais me vem a mente quando passo por lá é a Débora. Dos momentos em que nos sentamos apenas para observar... o movimento!

Depois de reformada, a Praça Raul Soares também passou a fazer parte do bom repertório de lembranças. Local dos meus famosos e preciosos “encontros a dois”. Todos os meus amigos já experimentaram um desses: faço questão de me encontrar, pelo menos uma vez, com cada amigo meu, a sós. Sem turma, sem bagunça. Momentos para conhecer o outro. As voltas na fonte também fazem parte do repertório de memórias do meu coração. Quem sabe entende. E só... Observar as estrelas também...

Observar as estrelas. O que, por sinal, remete à Praça do Papa. A maior parte das minhas idas até lá foram com a minha família. Meu pai sempre gostou de ir observar a cidade lá do alto. São dois os momentos mais marcantes que lá experimentei: uma noite, pizzas e Coca-Cola com os meus amigos-irmãos-parceiros do Caminho. A outra memória é bem recente: vivida há menos de um mês. Em uma noite muito fria e, dubiamente, calorosa.

Apenas em janeiro de 2010, descobri que havia uma árvore na Praça da Estação. Graças ao Renan, meu amigo manauara. Na minha recém volta do Rio de Janeiro, fui encontrá-lo. Chovia. Por telefone, ele me disse: “estou na Praça da Estação, embaixo da árvore”. Só neste dia meus olhos enxergaram a árvore que há ali. Mas a amizade do Renan não me abriu os olhos apenas para isso, mas para muitas outras coisas. Marcas eternas.

Coincidentemente, foi apenas com o Renan que dividi, pela primeira e única vez, em janeiro de 2010, a Praça JK. Até então, eu só havia ido lá sozinho. Momentos de que não abro mão. Momentos em que me aproximo mais de mim mesmo. Em que me conheço, me descubro. Depois da partida do Renan, todas as minhas idas lá foram novamente com aquela que considero a minha melhor companhia: eu mesmo.

Nessas sete praças de Belo Horizonte reside boa parte da minha história. As pessoas mais importantes da minha vida certamente já foram, nem que uma vez apenas, a alguma delas comigo. Em um daqueles “encontros a dois”, mais frequentes até o fim do ano passado. 2011 foi um ano mais meu. Muito menos dividido que os anos que o antecederam. Com exceção aos últimos meses, em que fui presenteado com uma nova companhia. Inevitavelmente, mesmo nas minhas idas não partilhadas a tais lugares que habitam a eternidade do meu coração, sou acompanhado, mesmo que de longe, por algumas pessoas. E pelas lembranças que elas me trazem. Marcas eternas. Vários sorrisos. Várias cicatrizes...

Hugo Rocha

2 comentários:

André disse...

um belo texto irmão... mais uma vez! amei a forma com descreveu suas experiencias em cada praça! sempre prazeiroso ler seu blog!

Amanda Mourão disse...

Acho impressionante como você consegue fazer grandes textos de coisas que são aparentemente simples, mas que, dependendo de quem vê, podem ser infinitamente marcantes e prazerosas... Esse é o valor da vida, e você consegue vê-lo... E também gosto de ir ver as decorações de natal da praça da liberdade, mesmo para quem não concorda, sem dúvida são lindos...