sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Quando não há merecimento...

Ele queria vender algo. Eu estava interessado em comprar. Foi assim que Kleber e eu nos conhecemos. Era uma relação de troca, de interesse, de necessidade. Não havia nenhum indício de qualquer proximidade, qualquer desejo de amizade. Por um tempo, ele ficou lá, na minha lista de contatos do MSN. Não havia nada que o distinguisse da maior parte da lista. Não éramos amigos. Não nos conhecíamos.

Como sou bastante observador, já havia notado que ele tinha talento para as artes visuais. Até que um dia precisei de uma imagem que ilustrasse a coluna que, então, eu escrevia para o Portal DT: Evangelho em Prosa. Perguntei se havia alguma imagem entre as dele que ilustraria o texto que eu havia escrito. Puro interesse. Mas a resposta não foi a esperada: ele não tinha. Mais surpreendente mesmo foi a atitude que veio a seguir: a oferta - “Eu faço uma agora!” Em alguns minutos, estava pronta uma imagem exclusiva para ilustrar aquele texto que eu havia escrito. Mais que uma imagem, havia sido definida uma nova relação naquele momento. Da troca e do interesse para a oferta gratuita. Graça... Como gosto dessa palavra e do conteúdo que ela carrega.

Dali em diante, aquele que era apenas um contato havia ganhado um rosto, um nome: Kleber. Nossas conversas a respeito do Amor e da Graça do Pai foram pauta do fortalecimento de nossa amizade. Em cada palavra, descobríamos uma face nova da misericórdia de Deus. E crescemos dessa forma: alicerçados na confiança de estar sob a proteção de um Deus que nos ama, um Deus que é próximo e que deseja se relacionar conosco. Um Deus que criou as pessoas para se relacionarem, por meio do Amor dEle por cada um de nós.

Pessoas se tornam inesquecíveis quando deixam marcas em nós. Algumas, o que é muito triste, são lembradas pelas dores que nos causaram. Mas há aquelas das quais é maravilhoso lembrar: aquelas que, durante o tempo que estiveram em nossa vida, nos fizeram bem. Algumas se encaixam nos dois grupos. Kleber está apenas no segundo. Soube, como raras pessoas até hoje em minha vida, somar. É uma daquelas pessoas que o Pai escolhe nos entregar como presente. Para nos trazer cura.

Apenas uma relação baseada na Graça de Deus pode trazer cura ao coração humano. E foi isso que me aconteceu em 2011: Kleber, por meio da Graça e do Amor do Pai, trouxe cura ao meu coração. Ajudou a sarar feridas que eu já considerava impossíveis de serem curadas. O suficiente para que eu nunca o esqueça. Mais do que suficiente para que meu coração seja sempre grato por tudo o que ele, de graça, fez por mim.

São poucas, infelizmente, as pessoas sensíveis a perceber aquilo que o próximo precisa. Uma palavra. Um abraço. Um conselho. Um ombro. Ou mesmo o silêncio. Mas Kleber consegue ser assim. Ouvi esses dias uma afirmação muito sábia: “ama mais quem mais errou, mais sofreu, mais se feriu....” E são essas as pessoas que mais têm o potencial de curar vidas e corações.

Nos últimos dias de 2011, só quero registrar aqui a minha gratidão. Seria um tanto egoísta pedir algo, depois do tanto que já recebi. De graça. Sem ter que pedir. E, principalmente, sem ter que merecer. Perdido eu estaria se dependesse do meu merecimento. E ainda totalmente ferido...

Mas hoje estou grato. E confiante. Traz cura perceber que ainda há pessoas que conseguem ser Cristo na vida do próximo. Ajuda a sonhar, a viver, a amar. Kleber é isso: alguém a quem recorri para suprir uma necessidade, mas de quem recebi muito mais do que esperava, imaginava ou poderia merecer. Alguém que me trouxe um pouco mais do carinho do Eterno por mim. Um registro eterno da Graça e do Amor do Pai.

Rafael, que - para quem não sabe - significa curado por Deus

2 comentários:

André disse...

sempre me envolvo em suas palavras... elas trazem conforto pro meu coração!

Alysson Tato disse...

Faço das palavras do André, as minhas.