quarta-feira, 27 de abril de 2011

Ressignificar

Na última terça-feira, sentei-me com meu amigo-irmão Henrique em um bar no Maleta, a fim de beber uma Brahma e conversar um pouco. Escolhemos justamente o bar em que eu havia ido apenas uma vez, há vários anos, em um momento meio estranho da minha vida. O objetivo era ressignificar, dar outro sentido àquele lugar marcado em um momento da minha história. Tivemos sucesso!

Dali a dois dias, começaria o XII Congresso de Louvor e Adoração Diante do Trono, na Igreja Batista da Lagoinha. Uma das coisas que, para o meu amigo, reforça a minha contradição – ressaltada no título do meu blog, é o meu gosto por Diante do Trono e a minha paixão pela Ana Paula Valadão. Outra história antiga, carregada de significações.

Minha ida a tal evento é marcada por contradições. Primeiramente, discordo de 99% do que é dito. Porém, quando a música começa, sou levado a ambientes de outrora, espaços e memórias que ficaram no passado. As canções me trazem, de forma avassaladora, um sem-número de significados.

Mas, além da música, minha alma sempre busca por encontros. Ah, quem me conhece sabe bem disso. Encontros me motivam. Não esbarrões, mas encontros. Não gosto de conhecer pessoas, gosto de me encontrar com cada uma pessoa que se faz parte, de forma natural, de mim. Meio estranha a frase, mas impossível expressar em palavras de uma forma mais real.

No começo do ano passado, escrevi: “Quando chegou ao seu destino físico, a esperança era aquilo que o movia. Esperança que logo o deixaria. Ele ainda não sabia que não chegaria aos destinos que o motivavam: encontros. Não demorou muito para que o primeiro encontro se revelasse em um dos maiores desencontros já tidos na vida. A esperança era toda, agora, para o segundo encontro.

Mas o que houve foi um segundo desencontro. Não houve encontro. Definitivamente, a esperança o abandonara. A saudade o visitava de uma maneira avassaladora. Saudade dos encontros naturais e espontâneos que o visitaram durante o ano que se fora. 2009 chegara ao fim, mas tais encontros permaneciam, habitantes da eternidade.”

Engraçado é que ressignificar lugares, momentos, livros, músicas, histórias etc., para mim, é relativamente fácil. Até então, impossível era ressignificar pessoas. Mas aconteceu! Uma pessoa conseguiu. Alguém que, quando procurei, havia me proporcionado um dos maiores desencontros da vida. Nesses dias, tornou-se um dos maiores encontros.

Encontro inesperado. Encontro arrebatador. E aí eu me lembro de uma máxima que sempre usei “contra” a igreja evangélica: as pessoas não sabem esperar, não têm paciência para aguardar o crescimento natural e processual do outro. Isso sempre me irritou. É por isso que, mesmo sem muitas esperanças, permito que as pessoas se aproximem de novo, a fim de ver se alguma mudança aconteceu.

E dessa vez, admito, uma surpresa totalmente nova tomou conta de mim. Nunca havia tido uma experiência tão grandiosa em relação a alguém. Tão significativa. Ou melhor, ressignificativa. E só posso agradecer ao Eterno, por me brindar uma vez mais com coisas tão inexplicáveis humanamente. Fico constrangido e paro por aqui!

Hugo Rocha
Escrito às 9h20 do dia 27 de abril de 2011, em Contagem-MG

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Devolvo-me

Transparente,
A ti me achego
Aquilo que sou, 
tão somente,
em tuas mãos entrego


Minha esperança
Minha vida
Tudo em tuas mãos


Além,
nada tenho a oferecer


De ti, vem tudo
O que tenho
O que sou


Devolvo-me!
Sou teu...


Hugo Rocha

sábado, 16 de abril de 2011

Minha culpa

Todo mundo menos eu pode errar, todo mundo menos eu tem direito a perdão. Triste realidade... Mas não é uma tristeza mais tão triste, sequer chega a me incomodar como outrora. Certa vez alguém me disse que tudo na vida é questão de costume. Da pessoa, me esqueci. Da sentença, não. Vivencio-a na prática.

Toda escolha na vida é um risco, cujas consequências, quase nunca previsíveis, nos atingem, independentemente de nossa vontade e/ou consciência. Pessoas são escolhas diárias que fazemos. Cumprimentá-las, sorrir para elas, direcionar uma palavra, arriscar um abraço, um sorriso, um beijo. Acreditar que há algo que nos une a elas.

Tudo isso é escolha. A gente escolhe acreditar. Acreditar que há laços. E enquanto o curso das coisas é o esperado, bom. Foda mesmo é quando, de repente, você nota que alguma coisa não vai mais tão bem. E isso sempre acontece. Já ouviu falar de humanidade? Pois é... E nem sempre a gente se dá conta das coisas em tempo real.

Há pessoas que esperam que você saiba de coisas que, para elas, são óbvias, mas que para você passam naturalmente despercebidas. E quando isso acontece, aquilo em que você havia escolhido acreditar simplesmente acaba. Raramente você tem a oportunidade de saber. Para o outro, o motivo é óbvio. Para você, impossível decifrar.

E o que fazer?

Aceitar! É. Uma palavra que tenho aprendido a apreciar. A-c-e-i-t-a-ç-ã-o. A vida passa tão rápido. Pessoas entram sem avisar. Muitas outras saem sem se despedir. É assim mesmo. Um ciclo. Como diz outra pessoa por aí, há a possibilidade de bloquear as entradas, para evitar as saídas. E a dor! Ah, a dor...

Mas... não! Eu não quero. Prefiro continuar lidando com a incerteza. Prefiro continuar no exercício diário de aceitar as saídas não anunciadas, e não explicadas. Quero continuar. Quero (sempre) perdoar. Seja eu perdoado, ou não. Quero sempre esquecer os erros e lembrar os acertos. Sejam os meus erros lembrados e meus acertos esquecidos. Quero ignorar os erros motivados por sérios problemas que o outro vive, mesmo quando esse outro listar os meus.


"O que é a vida? Perda... perda... perda...", a Maria Rita Kehl fez-me lembrar.

É... a vida. Perda... Não tenho queixas. Não tenho lamúrias. Não, nem lágrimas mais eu tenho. Pra que chorar? Quero gastar tempo me aperfeiçoando no exercício de ceder a outra face. A vida passa tão rápido, repito. Rápido demais... Triste é quem não nota...

Por isso, enquanto estou vivo, reconheço-me como réu, culpado de todo e qualquer delito. Inclusive o delito de amar!

Hugo Rocha

terça-feira, 12 de abril de 2011

Um dia na primavera

Naquele dia de primavera, acordou mais cedo do que estava acostumado. Sob o chuveiro, recebeu cada gota de água como um presente, como coisa rara. Através do vidro da janela, os raios do sol iluminavam não apenas o ambiente, mas pareciam levar luz também à sua alma.

Vestiu a camisa que comprara uma semana antes, a calça preferida, já surrada. Não se importou com o contraste entre novo e velho. Um All Star excessivamente gasto, e na mesma medida amado, completou o look daquele dia de setembro. Sentou-se à mesa para a refeição matinal: café, pão com manteiga, queijo (minas, é claro), pão de queijo.

Escovou os dentes, pegou outro dos seus velhos acessórios: a mochila. Saiu. De casa até o local de trabalho, apenas alguns minutos. Seguiu, contemplando a beleza daquele dia, as árvores, as flores, os pássaros. “Como é gostosa a vida”, pensou. E agradeceu a Deus pelo privilégio de viver mais um dia.

Por volta do meio-dia, almoçou: peito de frango grelhado, arroz branco, salada. Um suco de uva para acompanhar. Como sobremesa, um pedaço caprichado de torta de chocolate com nozes. Era hora de ir embora. Despediu-se dos colegas e partiu, uma vez mais.

Sentou-se sob uma árvore, retirou da mochila Poemas completos de Alberto Caeiro e pôs-se a ler, evitando pensar. “Pensar é estar doente dos olhos.” Com tanta coisa bela para contemplar...

Depois de algum tempo, levantou-se e partiu, de novo. Lembrou o quanto a vida é cheia (de chegadas e) de partidas. “Todos os dias é um vai e vem...” Ah, a vida... Mas evitou pensar. Seguiu, contemplando, com o espírito reverente e grato.

Voltou para casa e dormiu por cerca de duas horas. Começou a preparar a casa para receber as pessoas especiais e relevantes. Por volta das 18h, a mãe dele chegou. Sem dúvida alguma, era ela a pessoa mais importante da sua vida. Um abraço, um beijo, um afago. Lembrou-se de quando criança não saía do colo dela.

As outras pessoas chegaram. Todas recebidas com um beijo sincero. Conversaram, rememoraram, riram, brincaram, comeram, beberam... E a noite passou, como um sopro. Fugaz... Logo chegou a hora das despedidas.

Todos já haviam ido, decidiu não arrumar a casa. Estava cansado. Estava feliz.

Já na cama, ligou a televisão e o aparelho de DVD. Colocou um dos seus preferidos. Fechou os olhos e orou, agradecendo ao Eterno por mais um dia vivido. E por todos os dias que tivera até ali. E também por aqueles que ainda viveria.

Ao som da sua canção preferida, com um imenso sorriso nos lábios, dormiu.

E morreu...

Hugo Rocha

terça-feira, 5 de abril de 2011

Minha realidade, minha dor

E a esperança que me resta é justamente o milagre. E o problema disso tudo é que nunca fui muito bom com essa história chamada milagre. Até hoje não sei bem se acredito nisso. Pior ainda é não ter certeza que desacredito.

Muitos me condenam por ser assim, mas a verdade é que de nada adianta a hipocrisia na face, quando a verdade é evidente no coração. Meu compromisso é, antes de tudo, comigo mesmo, com a minha realidade.

No momento, o caminho mais cômodo aos que me cercam é manter distância de mim. Não é o melhor momento, de maneira alguma, para tentar se aproximar. Agora, aspiro a um momento a ser dividido com poucos. Aqueles que conseguiram adentrar os espaços mais desabitados da minha vida. Espero que não saiam, já que ninguém vai entrar.

Pouco me importo para a opinião alheia. Não tenho medo daquilo que vou perder. Ahhh, a perda. É até brincadeira falar de perda comigo agora. E de muitíssimo mau gosto. Ambições, deixo-as àqueles que ainda não descobriram aquilo que, na vida, é essencial.

Não quero conselhos. Muito menos opiniões. Sugestão é uma palavra que não existe em meu vocabulário. Quero longe de mim aqueles que têm receitas de um modo saudável para lidar com a dor e a incerteza. Daqueles poucos, que o sabem, aceito apenas abraços... e o silêncio, reverente e devoto, que só pode ser oferecido por quem realmente ama.

Hugo Rocha

sábado, 2 de abril de 2011

Tua Visão

Tua visão pra minha vida é o que eu quero ter
Os teus propósitos pra mim, vou viver
Nenhuma outra ambição a conquistar
Somente uma motivação de te agradar
.
Limpa o meu coração neste mundo mau
Ensina-me a viver teu reino aqui
Tu me deste tua vida pra que eu não viva mais pra mim
.
Olhar somente a ti
Viver só para ti
Não me perder de ti
.
Ana Paula Valadão
Assista aqui

. incoerentes .