sexta-feira, 22 de julho de 2011

Meu ministério é a vida

Hoje minha contradição resolveu acordar já fazendo barulho. Hoje eu tinha vários motivos para escrever um texto repleto de amargura. Mas resolvi tentar fazer diferente...

Há uma dor que ainda me machuca. Diariamente. Aos poucos. Constante e frequentemente. Mas não consigo (nem mesmo quero) partilhá-la com ninguém. Almejo deixá-la me transformar. Também aos poucos. Tornar-me alguém melhor. Não é fácil. Mesmo.

O padre Fábio de Melo escreveu uma canção cuja letra muito me fascina. O nome é “Contrários”. Tudo a ver com aquilo que sou: uma verdadeira contradição. Em um dos trechos, diz “quem no certo procurou, mas no errado se perdeu, precisou saber recomeçar!” Recomeçar, na vida, é preciso! E o intervalo entre um recomeço e outro nem sempre é tão longo no calendário humano. Meu coração, por exemplo, raramente respeita datas.

“Só quem já perdeu na vida sabe o que é ganhar, porque encontrou na derrota o motivo para lutar.” Essa é outra verdade, que nem sempre é fácil aplicar. É preciso fazer de cada derrota motivo para lutar. Lágrimas e dor têm seu tempo, mas não podem impedir que a vida retome seu ritmo.

Outra verdade que o padre me ajudou a lembrar é que “a saudade é um lugar que só chega quem amou. E que o amor começa aqui, no contrário que há em mim.” É justamente nisso que acredito: o amor nasce da nossa contradição. Do embate entre aquilo que temos de bom e ruim. Só podemos amar de verdade quando reconhecemos que também somos capazes de odiar. Porque amor é escolha. E escolha exige opções. “E a sombra só existe quando brilha alguma luz.”

“Só quem perdoou na vida sabe o que é amar. Porque aprendeu que o amor só é amor se já provou alguma dor. E, assim, viu grandeza na miséria. Descobriu que é no limite que o amor pode nascer.”

Há um jargão no meio evangélico (onde, para quem ainda não sabe, fui criado), utilizado para definir o que seria o chamado, a missão, a função de cada pessoa dentro da igreja: ministério. Normalmente ou é cantar, ou dançar, ou ser pastor, ou ser pregador, ou fazer parte do teatro ou evangelizar (que, ao invés de consistir na tarefa de espalhar a mensagem do evangelho, consiste na ampliação do número de participantes da religião).

Durante anos, procurei meu espaço. Mas nunca o encontrei. Hoje tenho plena consciência de qual é o meu chamado: viver! Isso mesmo, meu ministério é a vida. Fui criado e chamado por Deus para viver. A mim, Ele entregou essa difícil e desafiadora missão.

Dia após dia, experimento a responsabilidade de tocar, influenciar e amar as pessoas. Acolhê-las por meio de um abraço, um ombro e até mesmo um olhar, um sorriso. Sou responsável pelo meu mundo, aceito esse desafio. Não há obrigação, apenas uma vontade forte de fazer com que os meus dias nesta terra não sejam vãos.

Não sei quanto tempo ainda vou viver. Não faço ideia do que o futuro ainda me reserva. Mas tenho um compromisso: ser relevante. Quero ter certeza, todos os dias, que aqueles que saírem da minha vida, seja pelo acaso ou por consciente decisão, levarão um retrato eterno do Amor do Pai por elas.

Não gosto de despedidas, não gosto quando alguém tem que partir. Mas ser presenteado com apenas uma nova entrada é combustível suficiente para que eu jamais desista do ministério de viver.

A despeito e, contraditoriamente, por causa disso tudo, não há ninguém que ame mais que eu esta coisa chamada Vida.

Hugo Rocha
Contagem, 22 de julho de 2011, às 11h09

terça-feira, 12 de julho de 2011

Eu não tenho tempo pra perder com ressentimentos...

Há alguns dias ouvi, pela primeira vez, uma música cujo trecho citado no título deste texto me chamou muita atenção. “Eu não tenho tempo pra perder com ressentimentos quando penso que ele me ama...”

Desde então, pus-me a pensar no tanto de tempo que já perdi e tenho perdido com coisas inúteis, futilidades que deveriam ser simplesmente esquecidas. Às vezes até irracionalmente, mas coisas que ficam lá, guardadas sob o meu coração, incomodando, mesmo que disfarçadamente.

Nas últimas duas semanas, a palavra “tempo” ganhou uma nova conotação na minha vida. Assumiu um novo valor. Acordando às 4h40, trabalhando em dois lugares diferentes e resolvendo uma série de outros compromissos, percebi o quanto o tempo é precioso. E, sem balela, eu não tenho tempo pra perder. Antes, já não tinha. Agora, menos ainda.

É por isso que continuo com o meu compromisso diário de fugir de toda e qualquer tola e vã discussão. Um dos motivos do meu gosto pelo twitter é este: lá eu falo o que quero, o que penso, e pronto! Não discuto, não respondo. Gosta do que escrevo? Bom! Não gosta? Bom também. Mas, se não gosta, dê unfollow e o problema está resolvido. Não venha retrucar, perguntar, argumentar. Eu não tenho tempo pra perder...

É incrível pensar que ele me ama. E ele aqui, para mim, é deus. E te indico viver esta experiência: “eu não tenho tempo pra perder com ressentimentos quando penso que ele me ama...” E não me importo se você acredita ou não que ele exista. Não serei eu a tentar te fazer acreditar, uma vez que não possuo qualquer certeza acerca disso. O que tenho é fé: creio com o meu coração. A razão não entra nessa brincadeira.

Não vou gastar linhas tentando argumentar acerca da existência de deus justamente porque não tenho tempo pra perder... com nada. Mas o ponto mais importante ainda é não perder tempo com ressentimentos. Ele te ama. Seja ele qualquer pessoa que você quiser escolher. Ninguém passa pela vida sem ser amado por pelo menos uma pessoa.

Re-sentir. Sentir algo de novo. E o lance é que a gente costuma experimentar de novo mais os sentimentos negativos que os positivos. E ficamos ruminando aquilo, ao invés de nos cercarmos de amor. Às vezes estamos até cercados de muita gente que nos ama e nos quer bem. E, ao invés de curtir esse amor, perdemos tempo com ressentimentos causados por pessoas que não estão ao nosso lado.

É por isso que eu decidi gastar um pouquinho do meu tempo tentando não perder tempo com ressentimentos. Tanta coisa ruim me atingiu na vida, em especial nos últimos quatro anos. Mas muita coisa boa também me aconteceu. Por que manter o foco no que há de ruim? Por que deixar o que é bom de lado? Por que deixar uma decepção apagar o brilho de inúmeras conquistas?

Acho que o motivo de isso acontecer é o mesmo: a dor é mais forte que qualquer outro sentimento. Quando nos atinge, tem o poder de levar-nos a esquecer todas as coisas boas. Mas, a partir de hoje, quero aprender o exercício de manter o olhar sobre as boas coisas que têm me alcançado. Tudo é graça!

Aos que me fizeram e me têm feito mal, só pra reforçar:

Eu não tenho tempo pra perder com ressentimentos...

Hugo Rocha

. incoerentes .