quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Minha vida nos braços do Pai

"Vem, filho amado, vem, como estás...” Esse trecho da minha canção preferida nunca sairá do meu coração. E, com ele, a gratidão e o respeito à Ana Paula Valadão, muitas vezes incompreendido pelos que me cercam. A canção em questão é “Nos braços do Pai”, tema do quinto trabalho ao vivo do Diante do Trono, gravado na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, em 2002.

“Lembro-me como se fosse ontem” é o clichê ideal para expressar o que sinto a respeito dessa canção. Eu tinha 16 anos e já convivia há muitos desses anos com inúmeros complexos a respeito de quem eu era/sou. Acostumado a ouvir, no ambiente religioso, apenas cobranças para que eu fosse melhor, mais digno, mais merecedor, incomodava-me a certeza de que havia limites que eu não poderia vencer. A dor era diária, bem como as lágrimas, a tristeza e a culpa.

Até que ouvi, em “Nos braços do Pai”, por meio da voz muito criticada da Ana Paula, o convite: “vem, filho amado, vem, em meus braços, descansar...” Naquele dia, aquela voz tornou-se uma das mais belas e admiradas por mim. Mas, muito mais do que isso, senti-me, pela primeira vez incluído e, o que é bem mais forte, amado por um Deus-Pai, que me convidava a me aproximar dEle como eu estava, e apenas descansar.

O contexto é importante. Em 2002, Ana Paula surgia como expoente entre os evangélicos, era reconhecida e admirada por muitos, inclusive no ambiente em que eu vivia. Mas o que ela cantava trazia algo que eu ainda não conhecia: um Deus que é pai, um Deus que é o Amor Encarnado. Sim, até a minha adolescência eu havia sido apresentado a um “deus” que cobra, que pune, que exclui aqueles que não se adaptam às suas leis. “Deus” que, hoje, graças a Deus, não faz parte da minha vida.

Daquele dia em diante, minha relação com Deus mudou totalmente. Ele era meu Pai. E ainda o é... Eu não precisava mais verificar cada fraqueza e limite antes de me aproximar de Deus. Não era preciso esconder e mascarar quem eu era. Nem mesmo fingir ser capaz daquilo que eu não era. Bastava que eu me achegasse, que recebesse, de graça, o Amor de um Deus que é Pai e que escolheu me amar.

Não deixei naquele dia de ter dúvidas, questionamentos, inseguranças, dores, problemas, angústias e tudo o mais... As circunstâncias da vida não se alteraram. Hoje, sou muito diferente, mas cresci com o tempo, com as experiências, com os sabores e dissabores da vida. Naquele dia, mudou apenas, se é que o “apenas” aqui cabe, a minha relação com Deus. E, com isso, a minha forma de encarar a vida. Em meio a todas as dificuldades, eu não precisava mais me apresentar forte, confiante, enquanto internamente desmoronava. Muito pelo contrário, podia entregar todas as minhas dúvidas e inseguranças nas mãos dAquele que me amou/me ama e me lançar em seus braços de Amor.

Hoje, quase dez anos depois, em todos os momentos de dor, ainda recorro aos braços do Pai. E não creio que algum dia será diferente. Ele me encontrou. Quando a dor é forte demais, fecho os olhos e ouço o Pai sussurrar em meus ouvidos: “vem, filho amado, vem, em meus braços, descansar... e bem seguro te conduzirei ao meu altar... ali, falarei contigo... com meu amor, te envolverei... quero olhar em teus olhos, tuas feridas sararei...”

Pode parecer bobeira – ou até mesmo ineficaz. Mas não me importo. O que sinto ao mergulhar nessa experiência é algo que não dá nem pra explicar. Não é anestesia. Não esqueço dos problemas, não passo a acreditar em nenhuma magia que os irá solucionar. Não deixo de sofrer, de me ferir, de me machucar. Apenas sei que, mesmo quando tudo parece desmoronar, não estou sozinho. Porque o Pai está ali...

Se acreditar em Deus e no Seu Amor é fraqueza, admito-me fraco. Sou apaixonado por essa fraqueza. Carente e dependente desse Amor. Hoje, não preciso mais fingir ser forte: tenho um Pai que cuida todos os dias de mim... Enquanto me ensina a descansar...

5 comentários:

Alysson Tato disse...

Não tenho palavras para descrever *-*

Deivid Andrade disse...

Simplesmente demais!!

Mayne Marthins disse...

Ualll,muito bom
De mais

Anônimo disse...

"Se acreditar em Deus e no Seu Amor é fraqueza, admito-me fraco. Sou apaixonado por essa fraqueza. Carente e dependente desse Amor. Hoje, não preciso mais fingir ser forte: tenho um Pai que cuida todos os dias de mim... Enquanto me ensina a descansar..."
Uau!!!! Realmente...sem palavras!! Mt bom!!

Yuri

André disse...

sou e sempre serei eternamente grato a Deus por ter colocado vc no meu caminho! sua vida me ensinou muito mais do que posso expressar. ;)
hoje me considero uma pessoa diferente do que eu era (para melhor, ainda bem) e nossas conversas foram um dos motivos dessas mudanças. elas sempre me incetivaram a pensar, questionar e acima de tudo a entender aquilo que Deus quer ser pra mim, Pai amoroso e acessível! obrigado por ser exemplo.