terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Amor - a linguagem universal

O texto abaixo foi escrito em meados de 2010, para o Portal DT. Após a chocante entrevista da Sarah Sheeva, domingo, no 'De frente com Gabi', ele me veio à memória e resolvi republicá-lo, com algumas adaptações.

A verdadeira religião

Confesso que tenho bastante dificuldade de entender uma mente religiosa. Não falo de pessoas que têm uma religião, mas de pessoas que são possuídas pela religião. Notem que o pertencimento se dá pelo ângulo oposto. O ser que se deixa escravizar pela religião passa a ver o mundo apenas pelas doutrinas que ali recebe, naquele ambiente onde todos são incentivados a ser iguais.

E o risco disso é a perda da capacidade de interpretar. Não falo de interpretar textos bíblicos apenas, mas de interpretar a vida. O vício religioso pode criar pessoas sem capacidade de ler a existência.

Um exemplo: não é raro pessoas discutirem, de maneira vã, para provar que a sua religião e/ou denominação é a melhor. O embate se dá, de forma mais frequente, entre os cristãos: católicos, protestantes e evangélicos – das mais variadas denominações. E, com isso, todos se esquecem daquilo que João já disse no Famoso Livro: “Aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus.” (I João 4.7b)

Esquecendo-se dessa verdade, pessoas se utilizam de rótulos e nomenclaturas para decidir quem está ao lado delas ou não. Daí, não importa se o cara odeia ou fala baboseiras em nome de Deus, mas se ele é pastor, bispo, apóstolo ou apenas membro da mesma igreja que eu, ele é “homem de Deus” e está comigo! Da mesma maneira, o cara pode ser inspiração e exemplo na arte de amar, defender e acreditar no bem, entregar sua vida em causas que priorizem o próximo. Mas, se esse mesmo cara carregar o rótulo de outro segmento religioso, ele não está comigo. O Amor dele não vale, apenas por que o grupo religioso a que ele pertence não é o meu. Ignoramos que o Amor procede de Deus. É dom dEle. NUNCA parte de nós.

Mentalidade tola essa. Como ler isso (em 1 João 4) e continuar achando que o Amor de Deus está em algum espaço físico? Pensar que a fé em Deus está no lugar a que se vai aos domingos? Que o verdadeiro Amor tem endereço humano, precedido de um nome, que, obrigatoriamente, começa com a palavra “igreja”?

Não, Jesus nunca esteve preocupado com nenhuma dessas bandeiras. Ele carregou apenas uma: o Amor. E quer que a carreguemos também: “Quem ama a Deus, ame também a seu irmão.”

O mundo carece do Amor. Não resta tempo para discussões teológicas e religiosas. Pessoas estão morrendo, enquanto os fãs da religião discutem qual delas é a melhor. Esquecem-se que a verdadeira religião é o Amor. 

De que adianta olhar para o céu e declarar amor a um Deus a quem não se vê? Afirmo, sem medo, que não vale nada, se esse ato nos impede de olhar para o chão e perceber que, ali - caído, sujo, ferido, machucado -, está alguém extremamente carente e necessitado do Amor desse mesmo Deus.

De que adianta falar para não ser entendido? Falar apenas para os crentes, com um vocabulário específico: o 'crentês'? Enquanto os crentes falam para si mesmos, o mundo continua carecendo de Amor. Então, falemos e vivamos de forma que todos entendam: em Amor, a linguagem universal.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Minha vida nos braços do Pai

"Vem, filho amado, vem, como estás...” Esse trecho da minha canção preferida nunca sairá do meu coração. E, com ele, a gratidão e o respeito à Ana Paula Valadão, muitas vezes incompreendido pelos que me cercam. A canção em questão é “Nos braços do Pai”, tema do quinto trabalho ao vivo do Diante do Trono, gravado na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, em 2002.

“Lembro-me como se fosse ontem” é o clichê ideal para expressar o que sinto a respeito dessa canção. Eu tinha 16 anos e já convivia há muitos desses anos com inúmeros complexos a respeito de quem eu era/sou. Acostumado a ouvir, no ambiente religioso, apenas cobranças para que eu fosse melhor, mais digno, mais merecedor, incomodava-me a certeza de que havia limites que eu não poderia vencer. A dor era diária, bem como as lágrimas, a tristeza e a culpa.

Até que ouvi, em “Nos braços do Pai”, por meio da voz muito criticada da Ana Paula, o convite: “vem, filho amado, vem, em meus braços, descansar...” Naquele dia, aquela voz tornou-se uma das mais belas e admiradas por mim. Mas, muito mais do que isso, senti-me, pela primeira vez incluído e, o que é bem mais forte, amado por um Deus-Pai, que me convidava a me aproximar dEle como eu estava, e apenas descansar.

O contexto é importante. Em 2002, Ana Paula surgia como expoente entre os evangélicos, era reconhecida e admirada por muitos, inclusive no ambiente em que eu vivia. Mas o que ela cantava trazia algo que eu ainda não conhecia: um Deus que é pai, um Deus que é o Amor Encarnado. Sim, até a minha adolescência eu havia sido apresentado a um “deus” que cobra, que pune, que exclui aqueles que não se adaptam às suas leis. “Deus” que, hoje, graças a Deus, não faz parte da minha vida.

Daquele dia em diante, minha relação com Deus mudou totalmente. Ele era meu Pai. E ainda o é... Eu não precisava mais verificar cada fraqueza e limite antes de me aproximar de Deus. Não era preciso esconder e mascarar quem eu era. Nem mesmo fingir ser capaz daquilo que eu não era. Bastava que eu me achegasse, que recebesse, de graça, o Amor de um Deus que é Pai e que escolheu me amar.

Não deixei naquele dia de ter dúvidas, questionamentos, inseguranças, dores, problemas, angústias e tudo o mais... As circunstâncias da vida não se alteraram. Hoje, sou muito diferente, mas cresci com o tempo, com as experiências, com os sabores e dissabores da vida. Naquele dia, mudou apenas, se é que o “apenas” aqui cabe, a minha relação com Deus. E, com isso, a minha forma de encarar a vida. Em meio a todas as dificuldades, eu não precisava mais me apresentar forte, confiante, enquanto internamente desmoronava. Muito pelo contrário, podia entregar todas as minhas dúvidas e inseguranças nas mãos dAquele que me amou/me ama e me lançar em seus braços de Amor.

Hoje, quase dez anos depois, em todos os momentos de dor, ainda recorro aos braços do Pai. E não creio que algum dia será diferente. Ele me encontrou. Quando a dor é forte demais, fecho os olhos e ouço o Pai sussurrar em meus ouvidos: “vem, filho amado, vem, em meus braços, descansar... e bem seguro te conduzirei ao meu altar... ali, falarei contigo... com meu amor, te envolverei... quero olhar em teus olhos, tuas feridas sararei...”

Pode parecer bobeira – ou até mesmo ineficaz. Mas não me importo. O que sinto ao mergulhar nessa experiência é algo que não dá nem pra explicar. Não é anestesia. Não esqueço dos problemas, não passo a acreditar em nenhuma magia que os irá solucionar. Não deixo de sofrer, de me ferir, de me machucar. Apenas sei que, mesmo quando tudo parece desmoronar, não estou sozinho. Porque o Pai está ali...

Se acreditar em Deus e no Seu Amor é fraqueza, admito-me fraco. Sou apaixonado por essa fraqueza. Carente e dependente desse Amor. Hoje, não preciso mais fingir ser forte: tenho um Pai que cuida todos os dias de mim... Enquanto me ensina a descansar...

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Despedida, porque vou-me embora

“Um dia a terra será bela, o mal não existirá. E, como foi um dia, de novo ficará”. Mas não viverei para contemplar tal dia, porque “vou-me embora pra Pasárgada; lá sou amigo do rei”.

Ao rei, um pedido:

"Nem que seja um segundo, escuta agora o meu clamar,
Estou vivendo neste mundo, mas o que eu quero é Te encontrar
Por isso, peço mais que tudo: Volta!
Volta! Volta! Minha alma está chorando
Almejando Te encontrar.
Volta! Volta! Eu Te entrego minha vida agora,
Oh Senhor, vem me buscar
Volta!"


Como Lennon, imaginei um mundo sem países, sem motivos pelos quais lutar ou morrer, um mundo sem qualquer RELIGIÃO. Pessoas vivendo em paz.

Fui um sonhador, não o único, mas um deles. E imaginei que algumas certas pessoas se juntariam a mim.

Mas eu estava errado. E hoje estou triste...

“E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
(...)
Vou-me embora pra Pasárgada.”


Lá sou amigo do Rei...

*Com trechos das canções "Um dia" (Aloan Oliveira/Heber Schünemann, intérprete: Leonardo Gonçalves) e "Volta" (Ryldo Lopes, intérprete: Daniela Araújo), do poema "Vou-me embora pra Pasárgada (Manuel Bandeira), e referência à canção "Imagine" (John Lennon)

. incoerentes .