segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Observando o meu ser...

Estou aqui mais uma vez. Quantas vezes já estive neste mesmo lugar? É impossível contar... Aqui já chorei, já gritei, já sorri, já observei. Sim! Observei. Acho que o que mais fiz neste lugar foi isto: observar. Gosto de observar o movimento, as coisas, as pessoas. Pessoas. Não há nada melhor no mundo que elas. E gosto delas, tanto quanto gosto de observá-las.

Observar é uma arte deliciosa e reveladora. Revela-nos um pouco dos outros, mas muito mais de nós mesmos. Acho que um dos principais motivos para as pessoas gostarem tanto de observar as outras é a busca por uma felicidade. Observar é perceber falhas, defeitos e problemas nos alvos dos nossos olhares. É ver as pessoas como nós mesmos nos sentimos. E isto traz felicidade. Pode ser considerada uma felicidade doentia, já que nela precisamos da certeza do mal nos outros para nos sentirmos melhor.

A observação pode ser e, normalmente, é cruel! Gera em nós um prazer sádico. Porém, há sempre a chance de extrair coisas boas do processo, para tentarmos ser um pouco melhores (ou um pouco menos piores). A revelação revela-nos bem mais de nós mesmos do que dos outros. Mas como a nossa preocupação não é nos perceber e sim examinar os outros, raramente nos damos conta da real revelação que observar nos traz de quem nós somos. Com isto, a arte da observação, que poderia nos transformar para melhor, só nos torna piores, mais perversos, alimentando o nosso próprio “pecado”.

Sou egoísta! Alguém pode argumentar que todas as pessoas também são, mas isto pouco me interessa. Na verdade, ainda me interessa bastante, mas quero transformar este interesse em algo bom. Cansei da minha própria maldade. Não quero mais me contentar e me justificar na certeza de que outras pessoas têm o mesmo problema que eu. Isto não faz parte da minha busca de viver em Graça, mas representa uma forma de sub-vida em des-graça. E o meu coração precisa viver em Graça. Apenas ela pode curá-lo, dia após dia, no caminho da Vida.

Talvez você se pergunte por que eu passei a falar do meu egoísmo? A resposta é simples: hoje, eu decidi fazer (ou tentar fazer) diferente. Resolvi observar para encarar o meu próprio ser. E foi isto que vi: egoísmo. Não minto quando digo gostar das pessoas. É verdade! Meu coração confirma isto tanto quanto evidencia o meu latente egoísmo. Sou paradoxal! Acho até que todos sejam, mas quero me forçar, na Graça de Deus, a fixar os meus próprios olhos, neste momento e em muitos outros daqui para frente, nas realidades gritantes do meu ser.

E agora meu interior grita, me confronta. E diz que gosto tanto das pessoas por perceber que todas elas têm tantos ou mais problemas que eu. Não posso fugir do que vejo, não consigo. Quando meu ser formula a pergunta “você gostaria das pessoas da mesma forma se elas fossem perfeitas?”, meu coração gritou que não! O resultado da observação que fiz hoje foi duro, direto e me revelou um pouco mais de quem sou, descortinou mais da minha des-umanidade.

O motivo do meu “não” à questão formulada pela minha própria alma pode ter duas motivações. Acho que elas seriam de muitas outras pessoas. Mas agora, falo apenas de mim. Das duas opções que seguem, uma sempre será a resposta.

1. Ou eu gosto do “mal” nas pessoas para me justificar em minha própria consciência, sabendo que todos são maus;

2. Ou eu gosto do “mal” nas pessoas porque ele me prova que todos são como eu: seres imperfeitos e carentes do Amor e da Graça de Deus, o que me motiva a levar a elas a Boa Nova da justificação através da Graça demonstrada na morte de Cristo Cruz.

Algo que aconteceu enquanto eu escrevia, me chocou! Minha reação diante de um fato que se apresentou a mim deixou clara a minha opção, neste momento, pelo prazer no “mal” acompanhado do sentimento de auto-justificação.

Desgraçado fui eu, nesta hora. E meu coração grita pela manifestação da Graça de Deus, mais uma vez, para que nEla eu me encontre, na próxima oportunidade e sempre, no Caminho da Vida, do Amor e da Graça.

Hoje, o medo me venceu e falhei, mais uma vez.

Perdão, Senhor! Por me fartar da Tua Graça e não propagá-la, devido ao meu egoísmo.

Hugo Rocha

Um comentário:

Andy disse...

Observação, auto-justificação...

Primeiro passo é perceber o egoísmo...

Acho que ainda preciso encarar o meu... oO