sexta-feira, 26 de junho de 2009

Pra não dizer que não falei da morte

Ontem foi um dia especial pra mim. Não pela morte do Michael Jackson. Que ele seja mais feliz agora que enquanto esteve por aqui, é o meu sincero desejo! Como não podia deixar de ser, isso mexeu comigo. Principalmente com a minha mente e com os meus pensamentos sobre a vida e a existência.

Aos que me são íntimos, não é novidade que o outro tenha significado especial e prioritário em minha vida. Esses dias, em meio à leitura de Alguém que já não fui, livro brilhante que reúne crônicas brilhantes do brilhante Artur da Távola (outro que já nos deixou, no ano passado), deparei-me com uma afirmação que mexeu muito comigo:

O ser humano, estranhamente, se comporta sempre de forma pior com quem gosta, porque quem gosta acaba compreendendo. (grifo meu)

Assim que li, concordei imediatamente, apenas rememorando as minhas próprias atitudes. Tenho o dom de tratar de forma pior as pessoas que mais amo. E o que concluir disso, além de que é uma tremenda injustiça? Lamentável... A lógica seria tratar as pessoas que nos fazem mal de forma pior. E a quem nos faz bem, tratar melhor ainda. No meu modo de ver a vida, o correto seria tratar a todos da melhor forma possível. Infelizmente, meu agir muitas vezes escapa das rédeas do meu falar.

A Raquel completou 24 anos (que já não tem) de vida ontem! Como minha irmã, ela faz parte das pessoas mais injustiçadas do meu círculo de convivência. Pois lida diariamente com o privilégio de ser uma das pessoas que mais me compreende. Traduzindo: poucas pessoas sofrem com meu comportamento quanto ela, pois são raras as pessoas que passam tanto tempo comigo.

Há alguns dias, logo após ler essa crônica do Artur, decidi me esforçar ao máximo para tentar consertar essa brecha no meu agir. A ida do Michael ontem reforçou minha vontade (e também necessidade de mudar). Sempre aleguei que em minha vida não há espaço para buscar dinheiro ou sucesso humano. Não há nada que me atraia tanto quanto o desejo de amar e gostar daqueles que fazem parte do meu mundo.

A possibilidade de uma morte prematura me assusta. Não quero conviver com o risco de morrer sem deixar claras as minhas prioridades. Preciso tratar melhor quem eu amo. Quando morrer, desejo deixar apenas um legado aos que gosto. A certeza de que os amei acima de tudo. Sem restrições. Sem pausas. Sem interrupções. Quero que os momentos ruins sejam irrelevantes perto dos bons. E que sirvam apenas para mostrar a quem amo que aquele comportamento pior foi fruto da certeza de que o amor existente tudo suportaria. Até mesmo a incoerência...

Sim, a possibilidade da morte prematura me assusta. Mas bem menos que a chance de não deixar claro o amor que sinto pelos meus. Dentre os quais, a Raquel tem lugar especial. Não só no aniversário, mas também em qualquer dia que vem depois... como hoje!

Hugo Rocha

4 comentários:

Leandro Neri disse...

Saudades dos seus textos!
Muito bom!

Pensar que alguém de 50 anos morreu é desconfortável... O_o

De repente, me dou conta que já posso ter vivido quase metade da minha vida... O_o

Gosto de pensar nisso não... O_o

Willcomjc disse...

Suas sensibilidade e sinceridade me enchem os olhos e o coração!

Deus, continue lhe iluminando!

Bjão no coração

André disse...

Pra ser sincero... Às vezes gostaria que a minha vida andasse mais depressa... Eu até cheguei a reclamar algum tempo atrás que estava tudo muito rápido... Mas acredito que certas coisas seriam mais simples se a vida fosse mais breve do que já é... Parece que quanto mais tempo passamos por aqui, 'vivendo', mais besteiras fazemos, mais erros cometemos, mais pessoas magoamos... Mais nos magoamos... Normal...

Bom ver o retorno dos seus textos... Acho que estavamos todos com saudade!!!
Abraço

André disse...
Este comentário foi removido pelo autor.