sábado, 16 de abril de 2011

Minha culpa

Todo mundo menos eu pode errar, todo mundo menos eu tem direito a perdão. Triste realidade... Mas não é uma tristeza mais tão triste, sequer chega a me incomodar como outrora. Certa vez alguém me disse que tudo na vida é questão de costume. Da pessoa, me esqueci. Da sentença, não. Vivencio-a na prática.

Toda escolha na vida é um risco, cujas consequências, quase nunca previsíveis, nos atingem, independentemente de nossa vontade e/ou consciência. Pessoas são escolhas diárias que fazemos. Cumprimentá-las, sorrir para elas, direcionar uma palavra, arriscar um abraço, um sorriso, um beijo. Acreditar que há algo que nos une a elas.

Tudo isso é escolha. A gente escolhe acreditar. Acreditar que há laços. E enquanto o curso das coisas é o esperado, bom. Foda mesmo é quando, de repente, você nota que alguma coisa não vai mais tão bem. E isso sempre acontece. Já ouviu falar de humanidade? Pois é... E nem sempre a gente se dá conta das coisas em tempo real.

Há pessoas que esperam que você saiba de coisas que, para elas, são óbvias, mas que para você passam naturalmente despercebidas. E quando isso acontece, aquilo em que você havia escolhido acreditar simplesmente acaba. Raramente você tem a oportunidade de saber. Para o outro, o motivo é óbvio. Para você, impossível decifrar.

E o que fazer?

Aceitar! É. Uma palavra que tenho aprendido a apreciar. A-c-e-i-t-a-ç-ã-o. A vida passa tão rápido. Pessoas entram sem avisar. Muitas outras saem sem se despedir. É assim mesmo. Um ciclo. Como diz outra pessoa por aí, há a possibilidade de bloquear as entradas, para evitar as saídas. E a dor! Ah, a dor...

Mas... não! Eu não quero. Prefiro continuar lidando com a incerteza. Prefiro continuar no exercício diário de aceitar as saídas não anunciadas, e não explicadas. Quero continuar. Quero (sempre) perdoar. Seja eu perdoado, ou não. Quero sempre esquecer os erros e lembrar os acertos. Sejam os meus erros lembrados e meus acertos esquecidos. Quero ignorar os erros motivados por sérios problemas que o outro vive, mesmo quando esse outro listar os meus.


"O que é a vida? Perda... perda... perda...", a Maria Rita Kehl fez-me lembrar.

É... a vida. Perda... Não tenho queixas. Não tenho lamúrias. Não, nem lágrimas mais eu tenho. Pra que chorar? Quero gastar tempo me aperfeiçoando no exercício de ceder a outra face. A vida passa tão rápido, repito. Rápido demais... Triste é quem não nota...

Por isso, enquanto estou vivo, reconheço-me como réu, culpado de todo e qualquer delito. Inclusive o delito de amar!

Hugo Rocha

3 comentários:

André disse...

bela e real reflexão...

Rafael Sette Câmara disse...

Muito bom! Dá mesmo vontade de fechar as estradas pra impedir a fuga de quem a gente ama. A vida é uma incerteza constante...

Amanda Mourão disse...

Amei a parte:
..."reconheço-me como réu, culpado de todo e qualquer delito. Inclusive o delito de amar!"
Verdade... todos nós somos, porém são raros os que se reconhecem assim!